<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017</id><updated>2012-01-21T22:33:05.451-02:00</updated><title type='text'>Manifesto Púbere</title><subtitle type='html'>Sejamos rebeldes com causa</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://manifestopubere.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>60</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-8249013969272304104</id><published>2008-04-06T20:00:00.003-03:00</published><updated>2008-07-03T13:52:24.826-03:00</updated><title type='text'>Protesto Derradeiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;À Bruna e a mim&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Tive medo quando  avistei tua silhueta, receio de não poder amparar teu carinho. Eu não  tenho ferramentas afetivas, minha bacia se torna pilar, meus braços se tornam  marretas, minha cara pesa toneladas e eu não posso mover os músculos da tez. Meus  dedos, feito bigornas, poderiam machucar tua face tão disforme e inacabada  quanto bela. Queria ao menos demonstrar minha admiração por tua rebeldia, mas  tua confiança hesitante sempre tripudia sobre minhas tentativas  coxas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS,sans-serif;"&gt;Meu  tronco áspero e meus braços rígidos como mármore envolvem temerosos teu corpo  nebuloso. Comprimo teus tecidos enevoados contra minhas angústias como se  esperasse que algumas se desprendessem de mim e lograssem tua alma e teu corpo.  Antes que nos afastemos perplexos uno novamente as mãos a tuas vértebras, pois  sei que sumirei diante de um muro de receios embaraçados quando nos pusermos um  diante do outro. Então, eu encararei tua pele rósea, desbotada como pétala caída, convencendo-me que peço, sim, por beleza, inclusive aquela que dizem haver no  âmago da pessoa, sentindo-me tão belo por fora quanto por dentro ao crer estar  refletido nos olhos que julgo espelharem o meu avesso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-size:100%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS,sans-serif;"&gt;Por minha  sanidade, sei que eu deveria me livrar logo de tua presença murmurante. Sei que  minha comoção passa pelo desespero de quem faz pequenas incisões em seus braços  com lâminas gastas, mas, salvo meu egoísmo, nada em mim luta para me defender de  tua presença. Quando busco motivos para continuar sendo apenas quem sou, algo em  mim protesta que é preciso te amar, mesmo que o afeto se choque contra minha  suposta inclinação ao desprezo. Portanto, amar-te-ei, nem mesmo que  seja apenas por mim e para mim. Tratar-te-ei desde já como emplastro, senão como  cura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-8249013969272304104?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8249013969272304104'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8249013969272304104'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2008/04/protesto-derradeiro.html' title='Protesto Derradeiro'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-3558454130651284609</id><published>2008-01-06T20:00:00.002-02:00</published><updated>2008-07-03T14:06:11.405-03:00</updated><title type='text'>Moiras Aflitas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Litterae non entrant sine sanguine&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Sinto que só a Literatura poderá me salvar da trágica demência ou da cruel mediocridade que vislumbro, ora temeroso ora conformado, no que se me revela futuro. Quando sóbrio, só entre as páginas mofadas de um bom livro encontro refúgio da realidade magarefe que me flanqueia, do mundo arcaico que consome tudo que há além dos logros que eu arrebato do romance para cativar junto a meus próprios vícios.&lt;br /&gt;Trato como relato verídico cada ficção que tomo e, assim, faço da vida tão menos vulgar quanto eu desejar. Acomodo minhas criações entre as arestas cotidianas tal qual idealizo um por um meus convivas, tornando-me cômoda sua existência. Enfim, contenho minha loucura lhe dando formas. Quanto às medidas da nova realidade, eu extraio da obra de outros loucos, sobreviventes de seus respectivos universos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo que tardia, creio que essa intimidade possa me trazer proveito, afinal, já tentei encaixar minha silhueta sinuosa em toda espécie de entalhe reto e, claro, eu nunca coube. Porém, munido de um escapismo passível de se dosar, imagino ser viável a convivência às margens da objetividade, afinal, não precisarei deixar de dissimular nem mesmo me acomodarei a este mundo ainda chato, pois me dedicarei a torná-lo cada vez mais tortuoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-3558454130651284609?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/3558454130651284609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/3558454130651284609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/09/moiras-aflitas.html' title='Moiras Aflitas'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-5206357282670206580</id><published>2007-12-30T20:00:00.001-02:00</published><updated>2008-07-03T13:53:03.802-03:00</updated><title type='text'>Abismo Adiante</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div  style="text-align: right;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:100%;" &gt;Abyssus abyssum invocat&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sou tão mais fundo que quando me deparei com o que há sob minhas convenções eu não avistei nada senão o breu de um abismo enigmático. Por saber que eu me confrontaria com humores ainda mais vergonhosos do que os que habitam a superfície, não pude explorá-lo, logo, restou-me como conforto me apegar à mais oportunista fé na incerteza.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Hoje, sofro por ter me deparado com o precipício, arrependo-me por ter caminhado para longe da campina da mediocridade, lastimo cada passo dado rumo à perdição inevitável. Quisera eu não ter buscado a lucidez, não ter me confrontado, no último terço da jornada, com a presença tátil da incerteza, posta sentada sobre um trono de vermes, com as vestes decompostas e as vísceras ainda banqueteando os carniceiros.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Padeço da conquista do desconhecido que, afinal, parece ter sido forjado por mim. Agora, não posso retornar para onde não pertenço mais, nem conseguiria ousar um passo adiante, entregando-me à queda, portanto, cá estou sofrendo da aflição da descoberta que se confunde com as sombras, para sempre diante do abismo de minha essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-5206357282670206580?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5206357282670206580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5206357282670206580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/11/abismo-adiante.html' title='Abismo Adiante'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-7280601432343931428</id><published>2007-12-23T16:02:00.003-02:00</published><updated>2008-07-03T13:53:18.975-03:00</updated><title type='text'>Vastidão Estéril</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bella geri placuit nullos habitura triumphos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Parte do que há aqui não passa de entulho. Muito de mim são meros escombros, ruínas num cenário desolador, destroços de um passado malvisto, bombardeados esporadicamente pelo arrependimento, aquele tirano. Se tento erguer alicerces, o sítio desgraçado se vê novamente sob ataque.&lt;br /&gt;Mesmo depredada, a vila ampara uns parcos sentimentos que sobrevivem fazendo de seu cotidiano par do caos que habitam: ferem-se por aconchego, abusam-se por arrebatamento, devoram-se por fartura. Sua existência está fadada a passar por penitência.&lt;br /&gt;Esgueiram-se por entre memórias explosivas, convenientemente enterradas sob o vilarejo degradado, sedentas por mutilar os sobreviventes subversivos. Parem seus descendentes entre rejeitos inativos, educam-lhes até que se tornem adversários e se vejam obrigados ao canibalismo.&lt;br /&gt;Há uma vastidão estéril em mim. Terras ignoradas ou temidas pelo regime que me declara homem, um solo contaminado pelo sofrimento mais mesquinho, habitado por criaturas indecorosas. Se tento erguer alicerces, vejo que já não há mágoa que caiba em tal paisagem maldita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-7280601432343931428?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7280601432343931428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7280601432343931428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/10/vastido-estril.html' title='Vastidão Estéril'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-1443382211193183483</id><published>2007-12-16T17:22:00.003-02:00</published><updated>2008-07-03T13:55:32.408-03:00</updated><title type='text'>Confidência Amorosa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:trebuchet ms;" &gt;Veritas et rosae habent spinas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Tu nunca ouviste, Amanda, que não se deve perguntar por que se ama? Pois então imagines que a resposta não te traga o conforto que esperas e sim um terrível incômodo... Não, se quisermos ser honestos, não podemos dizer porque amamos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Não posso dizer que te amo por tua rebeldia displicente ou por teus trejeitos brutos e frágeis. De fato, tua crença ingênua em um amor que mereça odes e declarações tocantes não me agrada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se todavia tu exiges uma confidência amorosa, Amanda, caso aceites que eu não acate a dissimulação, falarei muito brevemente sobre meu amor por ti. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Amo-te somente por me sentir incompleto, amputado da esperança que movia minha infância. Amo-te apenas para ter compensadas as minhas próprias deficiências... Soa reconfortante para ti?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-1443382211193183483?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1443382211193183483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1443382211193183483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2008/02/confidncia-amorosa.html' title='Confidência Amorosa'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-7696311169860937775</id><published>2007-12-09T20:00:00.000-02:00</published><updated>2008-07-04T20:18:59.012-03:00</updated><title type='text'>Cavalos Alados</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Flectere commodius validas quam frangere vires&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saúdo-te, Cecília, por tua rebeldia exuberante, mas peço que não te desgarres por completo da apatia. Sei que te sacias apenas ao vislumbrar ânsia maior, sei que não vês razão em descobrir para ti o que já foi desbravado e sei que esperas inquieta por algo menos palpável que teu cotidiano. Porém, trate de ter cuidado com as convicções.&lt;br /&gt;Pertinácias confundem a rotina tanto quanto supostas intervenções divinas. Em certas horas,  Cecília, insurgências são meras demonstrações de ignorância quanto à ocasião, pois nem todo passo carece de seu próprio marco.&lt;br /&gt;Basta que não te percas por ter sempre paradeiro, nem emudeças por bradar tantos caprichos. Basta, Cecília, que não te faças solitária por aceitar cultivar apenas as paixões. Podes até ignorar calendários a fim de tratar todo oriente como acaso, mas nunca te ampares nos sonhos em nome de uma realidade que apenas a ti pertence.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Envolta em debates solitários, tramas réplicas que satisfaçam qualquer uma de tuas interrogações e te contentas com tua sabedoria conveniente. E te crês sabedora. Sei, porém, inquieta Cecília, que nem sempre persuades a lucidez e, em dados ensejos, não te convences de tua própria verdade: e é a isso que peço te apegues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-7696311169860937775?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7696311169860937775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7696311169860937775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/07/cavalos-alados.html' title='Cavalos Alados'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-4788425551228662549</id><published>2007-12-02T20:00:00.000-02:00</published><updated>2008-07-04T20:27:47.822-03:00</updated><title type='text'>Voto Perpétuo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Finis alterius malis gradus est futuri&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Corro deixando nacos dos pés pelo asfalto tenebroso, debando daquele que me assombra desde que tenho memória. Sei que logo eu serei alcançado, mas prolongo o suplício. Fujo, pois tomado por excitação me esqueço do terror que acompanha a paz cotidiana.&lt;br /&gt;Corro tanto quanto posso, até estirar os músculos, banhar-me em suor e entorpecer toda percepção. Persigo aquele que me ilude desde que tenho pudor. Sei que suas passadas são tão largas quanto são curtas as minhas pretensões, mas nutro seu prazer em tripudiar sobre meu desespero. Sigo-o, pois, assim, motivo-me quanto a minha própria fuga.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Exausto, largo-me de joelhos e imploro por um armistício. Então, deixo que o Passado devore um bocado de minha alma, confiando em sua necessidade de me consumir por toda a vida, ao que o Futuro goza ao ver derramar os excessos que escorrem dos lábios grotescos do outro. Mesmo dilacerado sobrevivo, e sobreviverei enquanto amparar meus algozes, sustentando-os para que me consumam e, em seguida, deixem-me ir, dando início a novos tumultos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-4788425551228662549?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4788425551228662549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4788425551228662549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/10/moto-perptuo.html' title='Voto Perpétuo'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-647546619651378813</id><published>2007-11-25T21:00:00.001-02:00</published><updated>2008-07-05T12:16:22.105-03:00</updated><title type='text'>Felicidade Presente</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Felix est non aliis qui videtur, sed si&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu sou, sim, um cara feliz, e não o digo por sarcasmo. Gozo quando me vejo diante de algo belo que permite contemplação ou quando sou tomado por euforia, solitária ou comum. De fato, estou quase sempre alegre. Porém, quando me ponho diante de qualquer ciência, acabo por me deixar cair em angústias.&lt;br /&gt;O niilismo me toma por inteiro, pois reconheço os traços feios do que há a meu redor, contemplo suas formas bizarras e vislumbro um futuro caótico. Eu sofro, sim, pelos que estão sofrendo, mas pouco. O desalento maior vem por meus filhos e seus filhos: aflige-me hoje as frações de sangue e esperança que pretendo lhes transmitir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu padeço apenas quando não me entretenho numa atividade egoísta qualquer, ou seja, sofro em ocasiões raras. Pois, ao me despir de martírios inúteis, não vejo como não ser feliz, como não gozar da maravilha de se ser burguês num mundo sempre amparado, de delícias imediatas e pássaros elegantes que fazem casa dos transformadores e natureza que tremula entre os cabos-elétricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-647546619651378813?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/647546619651378813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/647546619651378813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/08/felicidade-presente.html' title='Felicidade Presente'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-1130169771296167512</id><published>2007-11-18T20:00:00.000-02:00</published><updated>2008-07-05T12:23:48.821-03:00</updated><title type='text'>Certas Crianças</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Factes tua computat annos&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ao fugir, muitas vezes me confronto com certas crianças. Em algumas ocasiões, consolo-me com sua presença, mesmo sabendo que as assombro, em outras, sinto-me tão amedrontado quanto elas. Pois não posso dá-las coisa alguma, e a mim só resta tomar lembranças de um passado de presumida paz, memórias em meio a projeções opacas, onde mesmo temores são encarados como contentamento.&lt;br /&gt;Crianças que jogam pelúcias pelos cantos, que se enfiam em vãos estranhos, que comem enquanto saltitam. Crianças que correm por cômodos inusitados, que chutam toda esfera que lhes aparece, que se escondem sob as cobertas. Crianças que conseguem confiar, que cultivam esperança de algo maior, que não têm pretensão de não ser criança.&lt;br /&gt;Observo-as da calçada mais sombria ou dum canto inóspito da sala. Quando se excedem e se dão conta de minha presença, lançam um olhar de soslaio, como se esperassem por reprovação. Faço-me impassível, mas, ainda assim, as crianças contêm os sorrisos o quanto podem. Logo, vão se deixar eufóricas novamente, e gargalharão atrevidas, pois não sabem que presenciam a si próprias num futuro amargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-1130169771296167512?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1130169771296167512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1130169771296167512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/08/certas-crianas.html' title='Certas Crianças'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-1259407986767586241</id><published>2007-11-11T20:00:00.001-02:00</published><updated>2008-07-06T19:09:13.752-03:00</updated><title type='text'>Amor Reflexo</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Necessitas caret lege&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu tenho procurado em vão por uma garota com quem me identifique, já que sou narcisista e exijo do que me cativa que revele cada vez mais sobre mim. Espero encontrar nos olhos que me fitam o reflexo de minha própria agonia, um cenário com o qual eu me familiarize e onde eu possa fantasiar abrigo.&lt;br /&gt;Por eu ser feio, a beleza não me seduz: quero confusões e horrores que me indaguem se eu próprio não sou mais torpe do que creio ser, pois, hoje, não admito ocultar minhas deformidades, pelo contrário, desejo ter alguém com quem possa compartilhá-las.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu já confundi por diversas vezes as garotas por quem me afeiçoei com as que acabei por idealizar, pervertendo, assim, qualquer valor que elas tenham me transmitido. Portanto, decidi que só quando ouvir confissões amarguradas, intencionais ou despropositadas, que me conduzam por um caminho obscuro demais para ser trilhado sozinho, eu enfim amarei e serei um par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-1259407986767586241?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1259407986767586241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1259407986767586241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/09/amor-reflexo.html' title='Amor Reflexo'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-6840276646445668491</id><published>2007-11-04T21:00:00.000-02:00</published><updated>2008-07-06T19:13:07.677-03:00</updated><title type='text'>Estorvos Cativos</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Minima de malis&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu acreditava ser possível não encontrar obstáculos por evitar todos os caminhos, e não me preocupar com respostas por ignorar inquirições. Não me via no direito de julgar acasos, mas também resistia a qualquer dever. Dizia-me cansado demais para qualquer busca espiritual.&lt;br /&gt;Mais tarde, exausto por fingir um falso desprezo por minha existência, eu me apeguei ao misticismo mais mundano. Tinha, então, o acaso como conseqüência de meus atos e seus desdobramentos eram ignorados em nome da confecção de uma nova casualidade.&lt;br /&gt;Passados os gracejos hormonais, e já saciado por mediar todo o universo, eu me encontrei sem fé. Tendo meu espírito órfão aprisionado num corpo coxo, em diversas ocasiões desejei me tornar uma pessoa melhor, mas cada tentativa desaguava numa frustração vã.&lt;br /&gt;Foi quando cresci. Não que tenha me rearranjado ou desde então rume ao Paraíso: eu apenas aprendi como distinguir meus feitios. Hoje, acolho minhas imperfeições e me sinto seguro e confortável por não tê-las mais espreitando meu cotidiano e amedrontando minha alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-6840276646445668491?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6840276646445668491'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6840276646445668491'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/07/estorvos-cativos.html' title='Estorvos Cativos'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-6840535195090632556</id><published>2007-10-28T16:20:00.001-02:00</published><updated>2008-07-03T22:03:59.708-03:00</updated><title type='text'>Culpa Nata</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Anulus aureus in nare suilla&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Carrego chumbo sobre os ombros, pois nasci burguês. Beneficiado entre tanta miséria, deparo-me com dilemas dispensáveis ao jovem proletário. Não sei se devo usufruir do privilégio, já que o mundo foi talhado aos ricos, mas o Céu só se permite aos pobres. Caso redimido, vejo-me fadado ao limbo dos malditos justos, mesmo que leve uma vida virtuosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não posso ser feliz, já que há tantos condenados à depravação da pobreza material ao meu redor. Também não posso ser triste, pois desdenharia da dádiva ocasional que Deus derramou justo sobre minha testa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre tanta confusão, rogo que permitam que, firmado em minha consciência angustiada, eu me poste mais à esquerda política, entregando apoio a movimentos que se exibam revolucionários. Perdoem-me, enfim, caso tal redenção desesperada acabe por ocasionar ainda mais almas encarnadas no antro social dos propensos ao Paraíso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-6840535195090632556?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6840535195090632556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6840535195090632556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/07/culpa-nata.html' title='Culpa Nata'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-1012622179694193709</id><published>2007-10-21T20:00:00.000-02:00</published><updated>2008-07-06T19:16:16.518-03:00</updated><title type='text'>Best-Seller</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Quantum quisque se ipsum facit, sic fit ab amicis&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dizem que eu sou um cara afortunado, que posso abrir qualquer porta que me estacar e ir para onde eu quiser. Pena eu não saber para onde ir. E mesmo que me impusesse um destino acredito que eu preferiria estar aqui, onde nasci estacado.&lt;br /&gt;Dizem que eu posso ter qualquer concidadão a meus pés, que posso carregar o mundo todo nas mãos. Pena eu saber que tais proporções são desvairadas. E caso fosse tão grande eu sentiria falta do anonimato.&lt;br /&gt;Dizem que eu posso fazer um corredor do labirinto de meus dias, que posso curar minha angústia injetando uns mililitros de céu-azul nas veias. Basta que eu abra as janelas e saiba ministrar uma seringa para ter toda a paz que quiser.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Por trinta reais não-reembolsáveis recebo toda a ignorância de que preciso. Garantem que se eu fizer uso correto do produto terei toda a lucidez necessária para ver o quanto eu sou um cara afortunado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-1012622179694193709?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1012622179694193709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1012622179694193709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/07/best-seller.html' title='Best-Seller'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-1632803462028508992</id><published>2007-10-14T21:00:00.000-02:00</published><updated>2008-07-06T19:17:33.001-03:00</updated><title type='text'>Testamento Precavido</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Omnia cinis aequat&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se acaso eu morrer amanhã, desejo que nada daquilo que eu tenha escrito seja tornado público. Meus manuscritos e todo os textos impressos devem ser reciclados. Quero que se livrem de tudo que tenha me pertencido.&lt;br /&gt;Se possível, gostaria que meus órgãos fossem doados. Exijo ser cremado, pois não admito ocupar um centésimo de are que seja. Minhas cinzas devem ser deixadas na primeira poça que se formar no terreno baldio mais próximo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Não aceito que se realize funeral ou qualquer qualidade de rito. Peço que não entoem ladainhas religiosas e que poucos se sintam na obrigação de se comover com minha morte. Que todo o processo corra sem rodeios e meus resquícios sumam logo da rotina dos indivíduos mais íntimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-1632803462028508992?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1632803462028508992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1632803462028508992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/05/testamento-precavido.html' title='Testamento Precavido'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-4657112792319248056</id><published>2007-10-07T21:36:00.001-03:00</published><updated>2008-05-12T20:34:48.856-03:00</updated><title type='text'>Bona Fide</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alterius non sit, qui suus esse potest&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O gosto por escrever me trouxe o medo do que são capazes as palavras, por isso as censuro mesmo quando sei que queres me ouvir. Por outro lado, sei do valor do silêncio e, ao exigir diálogos tácitos, certas vezes, basta-me escutar as vozes que cada feição emite.&lt;br /&gt;Dito isso, resta declarar que eu te perdôo, Lara, por teu segredo. Mesmo que contemple outra mentira em tua face, eu sempre te pouparei de qualquer constrangimento, pois, se mentes e eu vejo que dissimulas, trata-se de um momento autêntico.&lt;br /&gt;Mais do que isso: tu és mulher. Sei que, desde os primórdios, resta como arma às mulheres mentir contra seus algozes. Sou varão e quero te limitar a meus braços, e a meus pés, e isso faz de mim teu carrasco enamorado.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Também quero que saibas, Lara, que enquanto eu estiver aqui, tu poderás mentir. E não te preocupes jamais, pois, posso parecer lúcido, mas não deixo de ser homem, logo, quando quiseres me manipular, conseguirás (mostramo-nos asseados, mas ainda somos bestas).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-4657112792319248056?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4657112792319248056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4657112792319248056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/12/bona-fide.html' title='Bona Fide'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-4888252521872637503</id><published>2007-09-30T14:40:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:55:24.294-03:00</updated><title type='text'>Euforia, Euforia</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Crescit in egregios parva juventa viros&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O comboio colorido foi dar numa rua sem saída e o motorista, talvez tomado pela exaltação pueril que invadira sua tarde, acabou por entalar as carruagens ocupadas por crianças eufóricas entre duas esquinas. Da janela de casa, assisti ao alvoroço de infantes que conjeturavam desastres (eu estacara diante do cenário por viver momentos angustiados – e dizem que não há nada mais aprazível que contemplar um bando de crianças comovidas). O condutor tentou se livrar do apuro em que se metera saracoteando a locomotiva ora para cá ora para lá, e os meninos sibilavam, torcendo para vê-lo bater.&lt;br /&gt;E eu também berrava e cantava hinos e provocava os emburrados e me dirigia às bordas como se quisesse ganhar as ruas... Daí tia Patrícia me tomou pelo braço e me fez sossegar entre os mais comportados, junto às professoras. Eu obedeci, pois há pouco tivera que passar uma longa hora sentado no canto da sala de aula, esperando que uma maldita lição de artes marciais, cuja submissão exagerada me desagradava, acabasse e fizesse os berros sincronizados cessarem.&lt;br /&gt;E eu olhava de esguio as meninas tímidas que pareciam sentir asco da alegria exagerada que as cercava, como se já fossem adultas infelizes... Daí eu me recordei de seu comprometimento desgostoso de decorar os passos e trejeitos da quadrilha (da qual fugi) e mais tarde reproduzi-los em frente a velhos burlescamente encantados com toda aquela humilhação. Por me aproveitar cinicamente das distrações das sentinelas para voltar-me aos convivas mais entusiasmados, recebi um ultimato de tia Silviana. Eu cedi, pois há pouco ela me despira sem qualquer sobreaviso, exigindo raivosamente que eu fizesse parte de uma absurda aula de natação.&lt;br /&gt;E os garotos com aparência saudável zombavam sem pudor do meu constrangimento, e eu revidava até me cansar... Daí eu me encolhi e suportei como uma rocha cinematográfica os papéis lambuzados de um cuspe bélico asqueroso que atingiram minha nuca. Por se impressionar com a malhação covarde, tia Márcia sentou-se a meu lado para me guarnecer. Mas lembrei-me de que fora ela quem me fizera levantar com as calças tomadas por merda numa fétida aula de matemática. E, arruinado pela lembrança, eu tratei de morrer para as horas.&lt;br /&gt;Os vagões, enfim, desprenderam-se da armadilha – as crianças, já entediadas, ao ver que voltariam a balançar entre as ruas, agitaram-se como antes: seu espírito não ampara as impressões da hora passada, mas, sabe-se lá por que, sua memória guardará cada ato da infância desmedida. Da mesma forma que eu trago em mim, como cicatrizes, as recordações vívidas de uma época que fazia valer lembranças. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-4888252521872637503?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4888252521872637503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4888252521872637503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/10/euforia-euforia.html' title='Euforia, Euforia'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-6400159822438623284</id><published>2007-09-23T18:40:00.000-03:00</published><updated>2008-07-03T22:06:23.655-03:00</updated><title type='text'>Quarto Mandamento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Qui honorat parents suos, seipsum honorat&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;Eu acho que meus pais sofrem por mim, pois mamãe ora como se rasgasse as próprias carnes, dando-se ao furor mais passível da compaixão mais sincera, a certo êxtase que não envolve fé, apenas uma encenação patética; já papai declara que sua expectativa teve um ano subtraído, uma idade descartada, um imóvel extraviado: o coitado se faz miserável para me ver abençoado com a vida burguesa mais cômoda e um belo espólio (daqueles cobiçados por quem não sabe da fealdade do contentamento).&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Sei que meus benfeitores padecem da maior amargura, aquela em que resta apenas resignação, porém, não compartilho de sua dor, já que contemplo sempre a mesma estrada que leva sempre ao mesmo breu, assim, não percebo os extravios que trazem tanta desgraça. Mas, agora, para que eles não sofram mais, decidi fazer jus a minha herança: desde já não me deixarei destacar da sanidade pactuada entre os mortais da vila decadente – subsistirei tão ordinário quanto exigir a saúde de meus progenitores.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;Pela sanidade de papai pleitearei um cargo público, tornando-me um funcionário bem-acomodado do Estado, onde se obra pouco sem supervisão alguma, um burocrata mesmo nos momentos de ócio, restringindo as horas de viver euforia ou retidão, rubricando dez vias antes de qualquer pensamento descabido; por mamãe terei fé (ou todas elas), prosseguirei, sim, meu caminho extraviado, mas apelarei aos mais diversos dogmas quando me crer perdido, trazendo uma penumbra de lucidez àquelas mesmas veredas.&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;Constituirei família, concebendo um filho apenas, já que descendentes custam caro, e carregarei meu breve cotidiano entre os limites da segurança financeira, transbordando vez ou outra as fronteiras morais. Serei, enfim, tão ditoso quanto exige o meu legado, promovendo churrascos e cervejadas por entre onde as crianças alheias correrão com a minha cria, todas ignorantes do futuro que lhes vem sendo traçado entre um gole e outro. Pois repetirei o erro mais cruel de meus pais: admitirei, sim, minha estupidez, mas exigirei da prole que a assuma e perpetue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-6400159822438623284?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6400159822438623284'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6400159822438623284'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2008/01/quarto-mandamento.html' title='Quarto Mandamento'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-4316551644366060351</id><published>2007-09-16T14:14:00.000-03:00</published><updated>2008-03-18T20:23:23.639-03:00</updated><title type='text'>Ser Ordinário</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Associat dives tumidos opulentia fastus&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se meus humores fossem apaziguados, hoje eu estaria me graduando como odontólogo. Trabalharia curvado sobre os hálitos da comodidade. Logo, ganharia bem, compraria um belo carro e foderia belas mulheres. Mais tarde, adquiriria uma bela casa para viver ao lado de uma bela esposa, que pariria belas crianças, que distrairiam meu belo matrimônio enquanto eu comeria uma bela amante. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas eu não fui forjado para alegrias burguesas. Escrevo porque, acomodado sobre minha afasia burguesa, não faço nada mais. Como não me permito ser feliz, admito me tratar como especial, como se requisitasse compensação por minha desventura. E, por ter que ser distinto, exponho toda sorte de infortúnios quando escrevo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Torço por viver em uma civilização sem qualquer escrúpulo. Quando saio às ruas dissimulo, e me incomodo por não saber se todos disfarçam seus sentimentos. Convenço-me de que sou tão caridoso e viciado quanto todo religioso. Cego-me, e trato meus anseios como ordinários. Então, narro-me como se eu fosse natural.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-4316551644366060351?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4316551644366060351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4316551644366060351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/03/ser-ordinrio.html' title='Ser Ordinário'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-115729316197072894</id><published>2007-09-09T11:18:00.002-03:00</published><updated>2008-03-27T20:39:31.177-03:00</updated><title type='text'>Remorsos Futuros</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Ex ore parvulorum veritas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma anciã solteira, sua casa era simplória, pouco arejada, de um odor misterioso, tudo que remetesse à compaixão mais fraterna; o embrulho, porém, era bonito demais para uma mera caixa de bombons. Eu deveria ter seis anos quando atirei para longe tudo aquilo que estivesse ao alcance das mãos, inclusive o dito presente, bradando que não o queria. Passaram-se uma dezena de anos, uma centena de convulsões hormonais e um milhar de tumultos íntimos para que eu me arrependesse de ter feito aquilo.&lt;br /&gt;Eu não gosto de crianças, pois repudio seu maquiavelismo tão bestial, detesto sua sinceridade ou dissimulação sempre despudoradas, invejo sua maldade justificável e, acima de tudo, odeio-as por não poder usar das mesmas armas que elas. Estou em desvantagem por ter que me inserir na dita Civilização, aquele algo que nos faz extrair do âmago tudo o que não existe intrínseco ao homem, já as crianças, seres brutos, têm a seu lado a pureza desavisada que deus algum ousaria condenar. Hoje, há educadores que escarnam o velho conceito de molecagem saudável e prezam a civilidade precoce, mas no mundo corporativo poucos filhos têm os pais presentes, logo, as tentativas de se criar uma geração consciente do perigo de se ser humano não passam de retórica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eu não vislumbro fuga da prisão moral da sociedade, ainda mais por ter os punhos presos aos grilhões da hipocrisia burguesa. Como ente civilizado, a dor de meus erros vem dos remorsos que sei que experimentarei quando eles atingirem algum transeunte (mesmo quando eu extrair algum prazer de meu desacerto), mas, considerando minha incrível habilidade em machucar meus concidadãos, não pediria a gênio algum ser incapaz de semear mágoas, nem mesmo imploraria para que minhas vítimas acordassem livres das lembranças de minha agressão: seria, pois, fabuloso se eu pudesse cometer meus erros adultos e tratá-los com aquela displicência da infância despudorada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-115729316197072894?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/115729316197072894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/115729316197072894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/01/remorsos-futuros.html' title='Remorsos Futuros'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-7200285118125328018</id><published>2007-09-02T09:56:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:54:17.616-03:00</updated><title type='text'>Whitefaced Clown</title><content type='html'>&lt;p style="FONT-STYLE: italic; TEXT-ALIGN: right"&gt;Prudens in loquendo est tardus&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;¿Quem diria que eu, esta criatura de melancolia desmedida, ainda seria tratado com expectativas cômicas? Pois acontece que hoje sou um disputado piadista. Mas não culpo os expectadores desavisados, já que fui eu quem deu pretexto a tal confusão. E isso por conviver comigo mais do que se faz suportável e conhecer minha vertente áspera e tóxica.&lt;br /&gt;Como receio ferir os convivas com lucidez ou loucuras inconvenientes demais, travisto-me como matéria palpável e, em muitas ocasiões, assimilo e lapido a estupidez comum, refletindo-a numa encenação patética. Sou aquele mico que saracoteia em frente à platéia. O pobre primata feito cativo e condenado às vestes e trejeitos do espectador não muito racional.&lt;br /&gt;É assim que, nas parcas horas sociais do dia, eu me poupo da convivência com meu id, deformando-o em massa irreconhecível. O preço dessa liberdade viciosa, porém, já me incomoda. Não me importo por me flagrar irreconhecível diante das expectativas alheias, mas, às vezes, após ser mera marionete da necessidade social, questiono as tentativas de me trazer de volta às bases de meu caráter. Temo que, quando não restar-lhes vigor, eu possa acabar me acomodando entre as planícies menos tortuosas da mediocridade.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-7200285118125328018?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7200285118125328018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7200285118125328018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/07/whitefaced-clown.html' title='Whitefaced Clown'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-2385122365756117703</id><published>2007-08-26T11:12:00.000-03:00</published><updated>2008-03-18T20:17:08.433-03:00</updated><title type='text'>Codornas Assadas</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Inops, potentem dum vult imitari, perit&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mercado cria datas comemorativas ou as toma para si e faz com que elas se perpetuem. Consumidores ou não, nós as acolhemos, pois em nosso cotidiano tão exigente não há tempo para ladainhas afetivas. Convencionamos, então, confraternizar-nos em uns parcos dias festivos. E foi assim que eu vim parar neste restaurante burguês ao lado de minha família (cabe dizer que a meu pai, o homenageado do bimestre, tal ritual também não agrada, tornando esta ocasião ainda mais torpe).&lt;br /&gt;Começa-se por esperar num ambiente conjugado invadido por um sol impiedoso disputando qualquer canto com outras vítimas afortunadas (ingênuas ou sádicas), que se amontoam como etíopes subnutridos em frente ao acesso principal, de onde se vê famílias se esbaldando freneticamente em cada um dos pratos mais exóticos, para depois jogar suas panças para debaixo da mesa enquanto se segura uma xícara irrisória, ignorando os clamores silenciosos do garçom, que deseja faturar com aqueles que aguardam famintos do lado externo.&lt;br /&gt;Senhoras que exibem quilates às dezenas não deixam de cerimônia e, entre gargalhadas aflitas, tratam de chafurdar em seus pratos – cientes do desespero que as cercam, esforçam-se por exibir seu regozijo de forma dramática. Cadeiras se chocam contra mesas e traseiros desavisados fazendo trepidar um naco de javali; serventes se esquivam com perícia e angústia de homens gordos que exibem um penduricalho eletrônico para cada reentrância de seus trajes sempre iguais.&lt;br /&gt;Já postos em nossos lugares, vemos que não há porto-seguro entre tanta tormenta: como se fossemos nós as vítimas do forno predatório, esprememo-nos entre os burgueses que se confundem inscritos num aro de conveniências ardoroso. E somos arrastados por travessas que amparam cadáveres de animais que eu não sabia ser passíveis de se tragar; mergulhamos em caldos e nos untamos com óleos viscosos, mastigamos violentamente, num silêncio exasperado por toda comoção que nos cerca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pagos os tributos por nosso próprio sucesso – inclusos os coquetéis consumidos num ato inocente ou desesperado no pátio e cafés ínfimos de valor exorbitante – somos finalmente atirados à sarjeta adornada por belos carros asiáticos. O estômago, antes confuso, agora se dá conta de seus compromissos. A brisa suave saúda as axilas besuntadas e conclama às pazes que desçam às voltas da família burguesa que deixa o recinto satisfeita, pois não se vale da ocasião, e sim do ensejo: uma rara reunião familiar a ser guardada e consumida por anos. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-2385122365756117703?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/2385122365756117703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/2385122365756117703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/08/codornas-assadas.html' title='Codornas Assadas'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-6903930765634493136</id><published>2007-08-19T18:22:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:53:39.667-03:00</updated><title type='text'>Manifesto Elucidista</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ouço falar, deliciado, da desordem do século que passou... ¿Mas, e o desarranjo contemporâneo, será que não o percebem?&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;☼&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O capitalismo eleva os produtos internos brutos; os centros comerciais têm belos vernizes; as conjecturas, os gráficos são sempre otimistas... Os espíritos, porém, são de uma decadência desoladora. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;☼&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Confundimos conforto e conformismo; paz e passividade... Pazes malignas, como parasitas que nos sangram, consomem-nos sem que percebamos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;☼&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pois, então, demo-nos ao totalitarismo, ao líder bélico dotado das mais puras intenções... Dissimulemos nossos fins anarquistas nos entregando a homens de toda estirpe de ideologia: deixemos que eles destruam enquanto tentem erguer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;☼&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Contestemos este progresso doloroso que nos faz revisitar os desalinhos do passado, mas, agora, tomando-os por prosperidade... Tenhamos consciência de que representamos o futuro do porvir que não sucederá; a inovação que perpetuará o atraso; a evolução que fará retornar ao caos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;☼&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;¡Fartemo-nos da ração estatal!... Usemos do orgulho de se ser gado; não nos esqueçamos da pátria, a Nação do futuro que não virá: publiquemos as belas estampas de nossa prosperidade; consolemos este povo até que seu país, enfim, rua.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;☼&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;¡Façamos com que se perceba o caos!... Não pela humanidade, mas, sim, em nome da arte; e, para tanto, confundamos mesmo os mais perplexos: façamos haver guerras por biscoitos ou religião.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;☼&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sejamos ásperos e inclementes: ajamos como os mais &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;apáticos entre os &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;acomodados, esperando desde já pela nova ordem... Pela perpetuação do pouco de valor que conquistamos ao longo desses duzentos mil anos, tratemos de conspirar por nossa extinção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;☼&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Consumamos Deus e drogas até que se esvaiam; até que não nos sobre um grama de fé... Então, lúcidos como bestas, reconstruamos apenas pilares que sustentaram construções sem pecados.&lt;span style="font-size:0;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;☼&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Quando ruírem os paços e obeliscos, terminemos de implodir toda estrutura e convençamos as almas a se explodir... Em nome da conservação do incômodo, questionemos toda paz que vier a se suceder.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-6903930765634493136?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6903930765634493136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6903930765634493136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/08/manifesto-elucidista_05.html' title='Manifesto Elucidista'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-4195820573011430956</id><published>2007-08-12T11:56:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:53:05.613-03:00</updated><title type='text'>Paraíso Ideal</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Ut quemque Deus vult esse, ita est&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ciência e toda religião coincidem numa única especulação: multiplicai-vos. E isso porque tudo de efêmero almeja ser eterno, e aos homens não há subjetivismo ao deixar um suplente à comunidade desfalcada - ainda mais ao tratar de deixá-la mais eficiente à sua prole, e adaptar tal progênie para que persista em seu rumo. A meus olhos, então, o conceito de um Paraíso além-vida à espera dos cidadãos disciplinados de uma dita sociedade acaba por antagonizar com a própria existência humana.&lt;br /&gt;Por imaginar que a esperança do conforto post-mortem fora criada como compensação à vida de limitações em nome da comunidade meus argumentos soavam como mera provocação. Mas, se nos imolamos em busca de um sentido para tudo, contentamo-nos com um apenas. E, hoje, vejo que ao viver para a sociedade, sua manutenção e seu porvir, não preciso de outro prêmio que não partir conformado com minha atuação social. Logo, só me resta crer que o Paraíso não foi talhado como recompensa pela austeridade em vida, e sim pela anuência à instituição religiosa. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Todo Éden não passa de uma artimanha engenhosa que confronta aquele que vê esvair sua fé em tal igreja. Dito isso, proclamo minha redenção. Pois, se não tenho minha bestialidade limitada por dogmas, ainda sim conheço a moral da sociedade que habito, e por conhecê-la ainda melhor posso dizer que transbordo seus limites, agindo com mais rigor do que se faz necessário. Se não ajo bem por meu próprio conforto eterno, vejo num rumo sensato e ético um passo a menos entre a distância do mundo de meus descendentes e o tal Paraíso.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-4195820573011430956?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4195820573011430956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4195820573011430956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/05/paraso-ideal.html' title='Paraíso Ideal'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-115850596668993232</id><published>2007-08-05T12:12:00.000-03:00</published><updated>2008-03-18T20:25:19.967-03:00</updated><title type='text'>Glória, Glória!</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Absque vado fluvius, nec stat sine pelice proles&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Era uma vez um Estado não muito distante onde, em certa manhã, uma branda figura surgiu iluminada entre magníficas auréolas douradas, contornando os ventos e movendo as nuvens ao seu redor. Ela se proclamou a própria Ética. Os cidadãos, antes deslumbrados, ao tomar ciência de tal presença sagrada, julgaram-se abençoados. A população de tal Estado, então, pôs-se de joelhos, reverenciando aquela bela entidade, e não tardou para que todos os homens públicos do lugar se pusessem diante dela, igualmente embasbacados, tratando o seu como o mais afortunado entre os Estados. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Entre os murmúrios e as orações que se ouviam insurgiu uma voz que questionava tamanha benção: que, se fosse realmente milagrosa tal divindade, indicasse quais entre os homens públicos do Estado não mereceriam beijar os seus pés e louvar sua figura majestosa. A Ética, formosa em seus gestos, afável em suas feições, apontou suavemente seu indicador ao primeiro entre os homens de terno que se punham ante seus pés. Os cidadãos, pasmos, voltaram-se ao homem, que ajeitou sua gravata e, enquanto corria-lhe uma lágrima, pôs-se ao fim daquela fila. Antes que pudesse se refazer de tal choque, porém, a população do Estado viu que outro homem público já era denunciado pela Ética. Enquanto seguiam os burburinhos, outro e outro e, logo, todos os homens públicos do Estado foram, um por um, apontados pelo cadente indicador da gloriosa Ética. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os políticos e burocratas, quando se amontoaram ante a população e sua censura, puseram-se, então, a difamar a suposta divindade, insurgindo contra sua validade. Como poderia um Estado de homens lúcidos, do século da ciência, creditar tanta confiança a uma figura mística e um suposto milagre? Como não exigir da tal entidade comprovação de suas denúncias? E, afinal, como poderíamos acreditar em nossos próprios olhos quando eles abusam de nossa própria razão? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os cidadãos, então, sacudidos pelo discurso racional de seus representantes, abraçaram-se às pedras, telhas, puas e tijolos do redor e, antes que a entidade charlatã que se proclamava Ética pudesse reagir, atiraram aquilo que estivesse ao alcance das mãos na figura, que, assombrada, deu as costas àquele povo e nunca mais surgiu naquele Estado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-115850596668993232?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/115850596668993232'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/115850596668993232'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/12/glria-glria.html' title='Glória, Glória!'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-4403300369584420682</id><published>2007-07-29T20:26:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:52:16.367-03:00</updated><title type='text'>Contando Carneirinhos</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify;font-family:trebuchet ms;" &gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic;font-size:100%;" &gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Pater nimia indulgentia filios depravat;&lt;br /&gt;matres omnes filiis in peccato adiutrices&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;&lt;br /&gt;À noite, quando busco contentamento que me permita adormecer, imagino como seria o dia seguinte caso meus pais morressem. Costumo vislumbrar acidentes automotivos, já que eu não suportaria acompanhar meus benfeitores, cada vez mais decadentes, da alcova ao leito hospitalar e, enfim, à agência funerária, nem mesmo que ambos fossem acometidos pela peste mais brutal. Contra aborrecimentos, dou-lhes uma morte súbita – e indolor, pois ainda me resta humanidade.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Dessa forma, eu me isentaria de qualquer vínculo com o exterior destas paredes (que julgo como as mais acolhedoras, pois me garantem aquela segurança que nunca encontrei em seio algum). Eu seria, então, livre para existir apenas para mim, vivendo um sonho belíssimo que confundiria solidão, despropósito e uma mediocridade dignificante, como conviria.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Eu gozaria ao me livrar de todos os seus bens, um por um, a custos módicos, assumindo uns poucos eletrodomésticos que me dão conforto e uns agrados dispensáveis; viveria só, num cômodo esquecido em meio ao subúrbio, sem freqüentar faculdades que não as minhas próprias; longe de banhos ou vaidades quaisquer, eu consumiria apenas a mim mesmo (e sopas instantâneas).&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Não que eu tenha meus progenitores como entes maléficos: são, sim, pessoas torpes, como todas as outras, mas inofensivas. Odeio-os de forma singular somente por serem meus pais. Repudio-os por sustentarem referências que insisto em rejeitar; incomodo-me por exigirem um respeito que me nego a ceder. O que mais me inquieta, porém, é tê-los como o pretexto que me condena a perpetuar seus erros.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;Livrando-me de sua influência ordinária, ao menos nessas fábulas, eu posso me entregar à existência maravilhosa e &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt;vulgar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:10;"&gt; que exijo para ser feliz. Satisfeito, enfim, por ter como limites apenas os meus próprios vícios, eu cerro os olhos e durmo como quem não tem consciência. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-4403300369584420682?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4403300369584420682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4403300369584420682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/10/contando-carneirinhos_14.html' title='Contando Carneirinhos'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-5893957652014099128</id><published>2007-07-22T19:00:00.002-03:00</published><updated>2008-07-05T19:40:34.212-03:00</updated><title type='text'>Amores Artrópodos</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Amor opus laudat&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando madura, a abelha-rainha deixa de botar ovos e sai da alcova pela única vez em sua vida. Os zangões, cavaleiros sem guerra da colméia, lançam-se atrás de sua alteza, que voa sedenta por paixões efêmeras. Em pleno vôo, os machões mais astutos fecundam-na. Gozando ou não, estarão condenados à morte: muitos perdem as vísceras junto à virgindade, os outros serão linchados pelas operárias ao retornar à colméia.&lt;br /&gt;Há aranhas cujos machos são vinte vezes menores que as pretendentes. Muitas vezes, as fêmeas distraídas os confundem com o desjejum, mas os bravos enamorados continuam insistindo: invadem pé ante pé as teias da amada e copulam discretamente, sob pena de ter as vísceras vertidas em mingau caso peçam por alguma atenção.&lt;br /&gt;Escorpiões e louva-deus são envenenados e decapitados por suas esposas depois do sexo. Poucos deles, raramente espertos, escapam do sacrifício. Se fossem homens, suas parceiras sanguinárias se frustrariam ao se virar armadas e se deparar com o amante vestindo as calças enquanto explica sua urgência em partir, pois no dia seguinte há um compromisso importante logo cedo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-5893957652014099128?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5893957652014099128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5893957652014099128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/08/amores-artrpodos.html' title='Amores Artrópodos'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-5164496445603515167</id><published>2007-07-15T18:50:00.003-03:00</published><updated>2008-03-27T20:03:08.453-03:00</updated><title type='text'>Cadáveres Celestes</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Finis coronat opus&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sob uma lua cheia indecorosa, eu, ora como poeta ora como lobisomem, cavalguei sobre o lombo de minhas frustrações, caindo bêbado numa sarjeta indigente, acomodando-me sobre o suor; os olhos embriagados, então, partiram em busca de referência e se depararam com as estrelas, muitas delas mortas há anos-luz, cadáveres celestes que se perpetuam, guiando homens pervertidos a mundos ingênuos.&lt;br /&gt;Pobres estrelas, que não têm qualquer privacidade, bibelôs desalmados colecionados pelo homem, supostas fontes de inspiração a criaturas torpes, guias involuntárias do predador civilizado. ¿Se pudessem escolher entre se aniquilar logo ou se deixar abusar, será que cederiam pela vaidade?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Supus ser possível, também ao homem, fazer-se admirável depois da morte, ¿mas de que valeria restar como imagem ou memória, se tanto não atribui orgulho ou gozo? Mais vale morrer abraçado a tudo de si, levando ao túmulo contentamentos e reprovações. Era dia de coleta de lixo, minhas pretensões estavam envoltas num manto de fedor.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-5164496445603515167?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5164496445603515167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5164496445603515167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/03/cadveres-celestes.html' title='Cadáveres Celestes'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-5494974917702947159</id><published>2007-07-08T11:50:00.001-03:00</published><updated>2008-04-18T14:48:05.557-03:00</updated><title type='text'>Julgamento Perpétuo</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Bonis nocet qui malis parcit&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Disseram-me que nossos entes são capazes de espelhar frações nossas. Se assim for, ao menos terei justificativa à parte de minhas confusões. Eu não me vejo refletido em qualquer pessoa com quem eu conviva ou já tenha convivido. Resta descobrir se por eu ser grotesco demais ou, simplesmente, por não reconhecer nenhuma de minhas faces. Sou, pois, um paradoxo que se confronta com outro e sai reformado do cotejo.&lt;br /&gt;Foi buscando um rascunho de qualquer uma de minhas personalidades que eu encontrei um terapeuta. Hoje, trato-o por anjo: uma entidade que, vez ou outra, aparece iluminada por uma aura indecifrável extraviando minha rotina, declamando mantras estúpidos, impondo tarefas inúteis e tomando oferendas. É uma figura histriônica que joga as pernas sobre os braços da cadeira de seu consultório inóspito enquanto calcula as despesas a saldar ao final da sessão. Trato sua serenidade como impotência, assim como sua negação em admitir que eu tenha problemas psiquiátricos graves, sendo carente de drogas de tarja preta.&lt;br /&gt;Meus pais mereceriam muito mais do que um mero parágrafo de um texto sem eixo que busca expurgar uns parcos ácidos nocivos de minha artéria lingual, mas terão que se contentar com tanto. Odeio meus progenitores, pois neles vejo reflexos: não vislumbro meu íntimo ou meus humores, mas, sim, meus pecados. Meus pais não me ensinaram nada além de assumir minha mediocridade em relação aos homens, ao ser supremo e ao destino que ele traça. Para me lembrar de tal condição, eles trazem em suas caras um arquivo capaz de portar resenhas de todos os erros que eu já cometi. Quando adentram em meu campo de visão, surgem como juízes que, debaixo de sua toga suada e fétida, calculam um castigo que nunca virá, já que não há sentenças – e nada poderia ser pior que isso – em julgamentos perpétuos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-5494974917702947159?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5494974917702947159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5494974917702947159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/02/julgamento-perptuo.html' title='Julgamento Perpétuo'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-5965073000638629690</id><published>2007-07-01T20:50:00.002-03:00</published><updated>2008-04-18T14:43:29.857-03:00</updated><title type='text'>Novelos Férreos</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Amici, ad qui venisti?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sua voz me assalta e me causa vertigens. Caio e me confundo com as tramas oblíquas de meus vínculos sociais, que logo serão rompidas pelas convulsões frenéticas de meu ego. Gracejos se distorcem entre os gases exalados pelo pavor; receio ter partes de mim tomadas pelo interlocutor e restituídas deformadas e irreconhecíveis. Da ignorância ou da prepotência, intrínsecas aos viventes, ressalto meu conhecimento de seus mecanismos e minha negação em contorná-los. Sou, pois, pior do que qualquer outro homem ignorante de si próprio, já que me creio conhecedor da nobre ciência da ignorância.&lt;br /&gt;Por razão que não pretendo elucidar, decidi tratar de meus laços afetivos. Serão ao menos dois textos, tão cansativos e egoístas quanto todos os outros. Começo por dizer que o próprio afeto soa retórico para mim, não passando de mero acaso que lesa minha rotina. Condiciono meu contato com outros entes aos momentos de torpor, já que quando os defronto, nunca os consigo distinguir. Por isso, minhas parcas amizades são amparadas pela embriaguez, inaugurando aquilo que trato por afinidade alcoólica. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Se extraio prazer da Literatura, os habitantes de meu cotidiano são analfabetos; se me curvo à introspecção, meus convivas ocasionais se dão à euforia menos cordial. Combinamos por nosso desprazer pela vida, mas enquanto eu me afogo em nobre melancolia, meus companheiros se dão aos alucinógenos simplesmente por reconhecer sua inaptidão ao que quer que seja. Porém, como nos encontramos para bradar evoés, suas divagações imbecis simulam sintaxes a minha borracheira.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto às garotas, apelo para que não exijam que eu exiba minhas reses, pois tive um único romance em minha vida. Poderia ter acumulados outras aventuras, mas aí não teria os dramas do amor singular a meu dispor. Se nossa paixão houvesse terminado em adagas ou pistolas, eu me permitiria seguir em busca de novas comoções, mas nosso rompimento foi tristemente amistoso. Não sofro por possuir apenas bocetas, sendo injuriado pela desconfiança das pequenas. Por ter tantos vértices, já não me identifico com as garotas simplórias que me rodeiam, e torço por encontrar uma dona balzaquiana que me dê liberdades e me demonstre métodos. Por hoje, confundo as normas da afeição enquanto me esqueço da funcionalidade dos orifícios.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-5965073000638629690?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5965073000638629690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5965073000638629690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/02/novelos-frreos.html' title='Novelos Férreos'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-116493197101064775</id><published>2007-06-24T22:14:00.001-03:00</published><updated>2008-04-15T18:26:25.138-03:00</updated><title type='text'>Ensaio Anatômico</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Laedere facile, mederi difficile&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Eis anseios frustrantes: querer libertar cada dedo de cada mão, querer arrancar cada fibra de cada nervo; arrebatar cada glândula de cada tecido e torcê-las, banhando os pés com malícias inconvenientes; decepar meu pênis, castrando qualquer tentativa de fuga do desespero.&lt;br /&gt;Deformar os músculos da minha tez de forma que não saibam se rio ou choro, confundindo meus próprios sentimentos quando confrontado com espelhos; arrancar meus globos oculares, enfiá-los pela boca extorquindo os dentes com os punhos, rompendo os limites da laringe, e confrontá-los com minhas blasfêmias.&lt;br /&gt;Sacar cada costela, atirando-me com ânsia aos músculos intercostais, chispando os dentes contra as sobras carnosas dos ossos; desamparar meu sangue do baço e colorir os azulejos com as emulsões polpudas de meu fígado de memórias angustiantes.&lt;br /&gt;Tamborilar meu diafragma, estocando com força maior, até que esgarce, fendendo-se como que cortinas circenses, exibindo agruras cômicas; chupar meu apêndice como que jabuticaba; apartar meu ânus com meus fêmures; estender meu intestino, laçá-lo às luminárias e, já atado pelo cachaço, destituir os esteios das solas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-116493197101064775?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116493197101064775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116493197101064775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/12/ensaio-anatmico.html' title='Ensaio Anatômico'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-8239821876755442141</id><published>2007-06-17T13:22:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:46:53.624-03:00</updated><title type='text'>Águas Eternas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Guttatim pelagi perfluit omnis acqua&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Entre as grades da janela saltam águas de uma chuva que padece. Complacente, retêm-se entre o ar e a rotina sem se aventurar em tempestade. Covarde, permite-se morrer sem lutar, deixando-se em túmulos entre o asfalto – em plácidos anéis, divergentes, pois devem disfarçar sua monotonia, cada qual abrindo diante de meus olhos um túnel de lembranças, inclusive daquilo que cisma em não acontecer.&lt;br /&gt;Como se, em lugar das nuvens turvas e sombrias desta chuva pálida, meu passado cobrisse a cidade, e meus arrependimentos, em lugar do vapor, fundissem-se em água, gotejando tudo o que já fui de turvo e sombrio, libertando, assim, a razão de meu desespero, o que me percorre de mais doloroso: a certeza de que, sob minha alegada ignorância, eu sei quem eu realmente sou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada lágrima despendida de tais nuvens, cada vez mais lentas em seu caminho, amparadas por seu destino de incomodar cada superfície, perdem-se entre as dores e o lodo, enquanto nego a questionar às minhas mágoas por que, mesmo sabendo da eternidade destas águas, eu não consigo ir para longe das grades desta janela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-8239821876755442141?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8239821876755442141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8239821876755442141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/04/guas-eternas.html' title='Águas Eternas'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-3283564634917109763</id><published>2007-06-10T14:20:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:46:18.575-03:00</updated><title type='text'>Parafraseio Nietzsche</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Morienti cuncta supersunt&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Já não me importa se renascemos ou morremos ao velar nosso cotidiano. Se não me restam certezas, não cultivo dúvidas sobre minha ignorância. Nada mais se faz valoroso ou indispensável quando confrontado com minha insignificância.&lt;br /&gt;Quando encaro propensas boas ações, sofro pela desconfiança. Hoje, apenas as crueldades menos pueris distraem minhas frustrações. Portões foram cerrados e minha pureza se perdeu em meio às sombras do esclarecimento adulto.&lt;br /&gt;A angústia, que outrora me parasitara, tornou-se minha hospedeira. Já não me diferencio do que há de doce e amargo em mim. Sou, para meu próprio paladar, uma massa intragável que não se distingue entre saborosa e ascorosa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Saúdo Zaratustra, mas ignoro ter minha mediocridade compensada por quaisquer heroísmos. Parafraseio Nietzsche: Deus morreu, sim, mas foi quando eu já não pude mais crer em mim mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-3283564634917109763?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/3283564634917109763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/3283564634917109763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/05/parafraseio-nietzsche.html' title='Parafraseio Nietzsche'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-5663736734096548178</id><published>2007-06-03T11:30:00.002-03:00</published><updated>2008-04-16T21:47:18.259-03:00</updated><title type='text'>Vil Parasita</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Hodie mihi, cras tibi&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;De súbito, detiveste-me entre as tuas mãos/Sem tolerar fuga ou resgate pela solidão/Permitiste-me como único prazer viver um futuro incerto/Deixaste-me temeroso por ter o pulso liberto.&lt;br /&gt;Hei-me atado à tua cabeceira sem me rebelar por alforria/Ignorando teu rancor por eu me submeter todo o dia/Hei-me avilto, o vil parasita que sorve tua paz para si/Esperando encontrar em ti veias e capilares que não tenham fim/Hei-me em tronco, em cruz sacrificado pelo acaso/Porém, embriago-me em dor e por sofrimento sou sanado.&lt;br /&gt;E caso me libertes, a mim restará baixa vingança/Ver-te-ei sofrer por me deter, então, apenas como vaga lembrança/Pois estarei em teu leito, teus pés enrijecidos e teu soro/Sob as tardes encortinadas, da solidão exasperada serei teu único consolo/Consumirei tua memória e tragar-me-á junto a teus comprimidos/Quando cederes às dores, far-me-ei os lenços e travesseiros que morderás para abafar teus gemidos...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Como se abafasse um pedido de perdão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-5663736734096548178?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5663736734096548178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/5663736734096548178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/04/vil-parasita_22.html' title='Vil Parasita'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-8186170935551418174</id><published>2007-05-27T09:24:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:45:16.774-03:00</updated><title type='text'>Iluminação Pública</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Commoditas omnis fert sua incommoda&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Preferia ser assaltado por pesadelos sombrios, sonhos obscuros, atormentados, vexados por mensagens ascorosas, mas minha cobiçada melancolia topa em sonhos eróticos e soberbos unicórnios alados.&lt;br /&gt;Liquidifico-me entre as fronhas misturando coquetéis fármacos. Se ontem fiz de dois um, hoje, fiz de um erro todos - amanhã inventarei numerais.&lt;br /&gt;Da janela, contemplo uma lua desolada. Consolo sua vaga lucidez, pois sei que não se pode enxergar as almas quando iluminadas por zinco ou néon.&lt;br /&gt;Como há menos luar, sobrou-nos, da boa embriaguez, mera histeria. Daqueles crimes cometidos em nome da paixão restaram apenas os estupros de iluminação pública.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-8186170935551418174?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8186170935551418174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8186170935551418174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/04/iluminao-pblica.html' title='Iluminação Pública'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-293018583567203189</id><published>2007-05-21T20:00:00.000-03:00</published><updated>2009-02-20T18:31:44.059-03:00</updated><title type='text'>Feliz Pizza!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Dia dez de julho, o calendário se voltará irônico ao Brasil e o acaso nos sorrirá, deixando escapar uma gargalhada jocosa. Sim, pois, por uma daquelas coincidências que mais parecem ser caprichos divinos, o décimo dia do sétimo mês do calendário gregoriano vem sendo dedicado à Lei Mundial (e aí não se exclui Brasília) e à Pizza.&lt;br /&gt;A pizza (para os napolitanos, picea) se tornou íntima dos italianos, pois era alimento destinado às classes humildes do sul da bota, mas tem a honra de sua concepção disputada por egípcios, gregos, babilônios e hebreus. O disco de massa assada com ingredientes por cima chegou ao estômago do rei Humberto I de Itália, e dali ganhou o mundo.&lt;br /&gt;Da primeira pizzaria, a Port’Alba, ao desembarque junto aos imigrantes no Brasil, a pizza se revelou de preparos mil e ganhou lugar tanto em mesas nobres quanto humildes. O cotidiano de São Paulo e a massa se confundiram de tal maneira que os encontros amigáveis por fins de celebração e acordo acabavam ao redor de uma suculenta pizza.&lt;br /&gt;Por imaginar que no Congresso os encontros entre aliados por conveniência acabem da mesma forma festiva, se convencionou dizer que as acusações a que eles deveriam responder — mas optaram por ignorar pelo bem da classe — acabaram em pizza.&lt;br /&gt;Em pratos limpos, quer dizer que a Lei foi descartada, deixada no pratinho das bordas, enquanto um bando de criminosos, amigos até que isso seja conveniente, se uniram para manipulá-la em favor próprio. A expressão se tornou cotidiana e, nesses últimos anos, os brasileiros ouvem falar tanto em pizza no sentido figurado que podem acabar por se esquecer da iguaria italiana, o disco de massa assada com ingredientes por cima.&lt;br /&gt;Enfim, ao que me motiva: feliz dia dez, feliz pizza! Que todos os nossos desejos se realizem! Daqueles que prezam pelo bem da justiça àqueles que anseiam o conforto do colarinho-branco, passando, é claro, pelos que pediram uma pizza de calabresa há mais de uma hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-293018583567203189?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/293018583567203189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/293018583567203189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/05/feliz-pizza.html' title='Feliz Pizza!'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-8676488237074364415</id><published>2007-05-20T10:00:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:44:55.220-03:00</updated><title type='text'>Ventre Crescido</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Accepto damno januam cla&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cabia-me, como prisioneiro, tramar fugas viáveis. Mas eu não correspondia. Os rumores de que lá fora os homens tratavam de se exterminar consumiam meu ímpeto. Ademais, sabia que não havia Justiça que garantisse alvedrio aos homens livres. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Essa parca luz invade a cela bruta e úmida onde jazo trazendo imagens idealizadas do mundo além-grades (o asfalto que se move, as falsas esperanças que se reciclam e as vidas sacrificadas pelo sustento dos demais) e inibe qualquer impulso que estimule meus músculos definhados.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Estive ainda mais certo de meu destino recluso quando os carcereiros, num ato trocista, fenderam as portas de cada cela deixando um corredor patente entre os prisioneiros e a sua liberdade, e apenas dois ou três da multidão de detidos fétidos ousaram deixar a prisão.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-8676488237074364415?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8676488237074364415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8676488237074364415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/04/ventre-crescido.html' title='Ventre Crescido'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-116248942875484097</id><published>2007-05-13T15:28:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:44:29.288-03:00</updated><title type='text'>Faça Primavera</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Quae mala cum multis patimur leviora videntur&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faça primavera, faça outono/Não vejo por que reagir/Tento me libertar deste sono/Mas acabo por me deixar cair.&lt;br /&gt;Faça primavera, faça outono/Se prometo revoltas minto/Dou-me ao banho morno/Mesmo que já esteja limpo.&lt;br /&gt;Faça outono, faça primavera/Espero que obstruam passagens/Pois tal paz nos dilacera/Como rio brando sem margens.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Faça outono, faça primavera/Peço que bombardeiem a calma/Imploro por uma nova guerra/A fim de distrair minha alma.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-116248942875484097?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116248942875484097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116248942875484097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/12/somente-revoluo.html' title='Faça Primavera'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-445784547494163444</id><published>2007-05-06T20:00:00.000-03:00</published><updated>2008-07-03T00:16:09.847-03:00</updated><title type='text'>Esclarecimentos Possíveis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Se você ou outros chegaram até aqui, foi por um acaso inusitado. Porém, num ato de extrema boa-vontade, darei alguns esclarecimentos aos intrusos. Começo por revelar que os textos publicados aqui não foram escritos para que você ou outros os leiam.&lt;br /&gt;Este sítio se presta a que eu plante meus desaforos, veja brotar meus humores e, caso caiba precisão, futuramente colha seus frutos maduros. Ou os deixe apodrecer. Eu não busco loas ou celebridade, pois isso não saciaria meu ego. Hoje, só admito ter pendências contra minha própria pessoa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Como prova de meu desapego, esta publicação intimista amparará umas poesias juvenis que escrevi há anos. Como não aceitava métricas, tais poemas se exibem como prosas picotadas e sua incompetência lírica será ignorada, pois todas têm certo valor nostálgico para mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-445784547494163444?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/445784547494163444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/445784547494163444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/04/esclarecimentos-possveis.html' title='Esclarecimentos Possíveis'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-116930645398618786</id><published>2007-04-29T12:18:00.003-03:00</published><updated>2008-03-27T20:19:36.786-03:00</updated><title type='text'>Altares Impuros</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Perditus est, mala qui sequitur vestigia pravi&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há anos, quando me descobri mau, desejei ser ingênuo, mas tal qualidade presta apenas aos adultos mais dissimulados. Não acredito em inocência, apenas em ignorância, portanto, restar-me-ia desejar ser ignorante quanto a minhas intenções e meus sentimentos, porém, nestes dias tristemente lúcidos, às vezes penso que por sadismo ou arrogância, faço questão de escancarar as entranhas mais grotescas de minha personalidade.&lt;br /&gt;Por vezes, acho-me como um rato branco, uma pobre criatura perdida entre os muros de um labirinto de dimensões incabíveis, amparando miscelâneas de drogas em sua carcaça frágil, sempre ignorante de sua importância bestial em pró de uma ciência qualquer (ao que os molestadores da cobaia são os meus próprios humores).&lt;br /&gt;Houve um tempo em que eu buscava burlar meus reais sentimentos, hoje, porém, posso me dizer uma fortaleza de meus vícios, demências e deformidades; um santuário imaculado de meus defeitos, tendo seu altar e seus ídolos cuidados por minha própria honradez, pois só assim posso afirmar que me sinto homem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-116930645398618786?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116930645398618786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116930645398618786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/01/altares-impuros.html' title='Altares Impuros'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-116223307981499878</id><published>2007-04-22T23:58:00.000-03:00</published><updated>2008-03-18T20:35:34.313-03:00</updated><title type='text'>Signos Encarnados</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Sera sunt baba pos vigesimum, scientia post &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;trigesimum, &lt;/em&gt;&lt;em&gt;divitiae pos quadragesimum&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou estúpido e impulsivo, mas minhas irreflexões me permitem algumas certezas. Posso garantir, por exemplo, que eu não me tatuarei jamais. Simbolismos não me agradam, pois personificam juízos míopes, encabrestam os sentimentos da platéia e impõe impressões próprias à aclamação comum. Mas para que este parágrafo não seja de todo indecifrável (e sendo legível, que não exponha certa hipocrisia), devo confessar que também me dou aos modismos e, mesmo que preferisse me sobressair declarando meu repúdio às tatuagens por não passarem de alegorias sociais inúteis, assumo que me perturbo tão somente pelo signo eternamente encarnado.&lt;br /&gt;Cicatrizes ou joanetes não poderiam me incomodar, mas tatuagens são deformações tramadas, marcos pueris que crêem que um ciclo mereça ser lembrado. Nós carregamos nossas vidas em nossos corpos, mas não acho certo forçá-los a sustentar um símbolo do humor de outrora, cravando-lhes o passado na pele. Eu admito que me arrependo de tudo aquilo que fiz quando mais jovem, e no futuro me arrependerei de muito do que faço hoje, mas, além de minha notória insegurança há a certeza de que eu amadurecerei, e as verdades do passado, que eu tratava como objetivos, serão meros paralelepípedos no meio do caminho.&lt;br /&gt;Eu admiro certas cicatrizes de meu corpo, mas elas não passam de lembranças de um velho cotidiano, não têm presunção alguma, ao contrário de tatuagens, que se tratam de afirmações precoces. E mesmo que trate meus erros e meus arrependimentos com carinho, não vejo porque dividi-los com quaisquer transeuntes. E, mais do que isso, confundindo insegurança com amadurecimento, não creio ser capaz de escolher um signo que represente meu humor atual, ainda mais aqueles que virei a amparar enquanto minha pele se tornar flácida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-116223307981499878?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116223307981499878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116223307981499878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/12/signos-encarnados.html' title='Signos Encarnados'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-8761467285502441352</id><published>2007-04-15T16:22:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:42:54.675-03:00</updated><title type='text'>Larry Flint</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Quid pectunt qui non habent capillos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Por ser solitária e despretensiosa, a pornografia parece ter sido feita sobre medida para minha adolescência. Não me lembro do primeiro contato, mas acredito que tenha sido arrebatador. Logo, eu me jogaria sobre revistas como se cresse ser possível dar prazer às mulheres de celulose. Em momentos desvairados, dedicaria toda uma semana a tarefas despropositadas, como ejacular em cada canto da casa, carregando minhas coleções obscenas por todo lado.&lt;br /&gt;Por pudor, quando concebia fantasias pervertidas demais, tinha coragem apenas de me imaginar me masturbando ao ideá-las. Eu costumava roteirizar filmes pornográficos estrelados pelas meninas de minha classe, e aquelas pelas quais eu cultivava paixões ganhavam papéis de destaque. Numa confusão entre o cotidiano e o delírio, suas atuações fabulosas contrastavam com o respeito que eu lhes prestava como colegial enamorado.&lt;br /&gt;Era adepto de uma certa sexualidade platônica, e ficava especialmente excitado quando os moleques da classe realizavam concursos em que confrontavam os dotes das garotas. Eu ganhava papel de destaque e redigia regras lúcidas e convenientes ao certame. Era uma oportunidade única – quando um voyeur poderia tocar o objeto de seu fetiche por alguns momentos sem ser detestado por tanto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Perereca Que Pula Mais, Mina Que Nunca Pegarei, Miss Colegial 2000. Tamanho era meu reconhecimento, análogo ao sucesso dos concursos, propagado por todos os três corredores, que as raparigas menos favorecidas, por ver uma oportunidade de se tornarem populares ao serem expostas junto às aclamadas, tratavam, tanto essas quanto aquelas, de se jogar sobre mim na tentativa torpe de serem favorecidas. Hoje, gabo-me por nunca ter me aproveitado de minha posição, agindo com louvável profissionalismo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-8761467285502441352?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8761467285502441352'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8761467285502441352'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/04/larry-flint.html' title='Larry Flint'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-7536351001010529987</id><published>2007-04-08T21:40:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:42:09.268-03:00</updated><title type='text'>Diáspora Moral</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;11&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E se contava uma piada sobre três robôs com mal-funcionamento que, por um pretexto qualquer, haviam sido pintados de preto.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;12&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E na segunda-feira seguinte, dois robôs não foram trabalhar, ao que outro apareceu bêbado.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;13&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Ficou, pois, grato por ser um mero transeunte e não precisar sorrir. Pegou seus amendoins e seguiu seu rumo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;14&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E se defrontou com as ancas helênicas de uma mulher rija, que contemplou por calçadas e não pode evitar uma ereção.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;15&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E como calculou mal sua marcha acabou por se posicionar contíguo. Já que tal dona andava a passos acanhados, viu-se, portanto, obrigado às passadas mais largas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;16&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Acelerou, pois, os fêmures, sob pena de caminhar próximo demais ao flanco da mulher distraída.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;17&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E avistou vindos do sentido oposto dois meninos esguios e bem trajados que se aproximavam num andar de confiança burguesa. Preparou-se, então, ao embate de julgamentos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;18&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E sustentou, desde aí, seu peito teso e avigorou os passos o quanto pode, porém, já próximo deles, recolheu-se ao centro de si, curvou as costas e encarou seus calçados.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;19&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Percebeu, pois, que os garotos se engrandeceram ao passar por seus ombros.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;20&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E foi abordado por um indigente ríspido que lhe pediu algum dinheiro para remediar um câncer desesperado qualquer.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;21&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E negou, afinal, não lhe restava níquel que fosse, senão uma nota maior que as pretensões de ambos.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;22&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Sentiu-se, pois, horrendo e se desculpou. Diante do desapontamento áspero, justificou-se outra vez pelo pecado cometido, mas nada podia fazer além de se desculpar uma última vez.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;23&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E os urros ensandecidos que vinham do grande galpão verde conduziram-no através da rua. Estacou, então, diante de um templo evangélico.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;24&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; E um mulato de ombros largos que envergava um terno negro abordou-o com simpatia, convidando-o ao culto. Mas ao perceber que se tratava de um curioso mau-vestido, intumesceu sua voz.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;25&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; Ouviu, pois, em tom de ameaça, que seria bem recebido, como que exigissem que deixasse o pátio. Saiu e se encontrou conformado por sua loucura solitária. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-7536351001010529987?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7536351001010529987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7536351001010529987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/05/dispora-moral.html' title='Diáspora Moral'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-1177524349385766483</id><published>2007-03-25T20:48:00.001-03:00</published><updated>2008-03-18T20:49:39.808-03:00</updated><title type='text'>Balas Perdidas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Gabriela temia sua primeira visita solitária ao metrô. Nada que combatesse sua excitação por tamanha novidade. Era amparada pelos pais com tamanho afinco que muitas vezes tratava a severidade como insensata. Mas, por estar protegida sob ruas e pés alheios, abrigada de gases que confundiam sua beleza, a estação metroviária consumia todo receio. Amedrontava-a somente um troco errado, talvez catracas pesadas demais, corpos desengonçados ou a faixa amarela que, dizem, separa a segurança do choque. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sua ingenuidade trazia alguma proteção: a menina podia enxergar crepúsculos onde havia apenas penumbra e, assim, conseguia ignorar qualquer história sombria que cruzasse seus ouvidos. Ignorava a estupidez das ruas, das próprias pessoas, e a insanidade do medo. Seus parcos quatorze anos, porém, emudeciam seus quereres e exigiam amparo por parte dos pais. Logo, esse momento, para Gabriela, traduzia-se em liberdade, pura, branda - conhecia, ou cria conhecer, sua próxima idade. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Cada metro que percorrera naquele trajeto a trouxera para mais perto das ciências adultas - sua ida ao metrô se confundia com seu amadurecimento. Mas quando avistou os degraus que separavam seus pés daquela que seria sua real experiência, seu contato com a maturidade, Gabriela se viu encurralada por dois homens armados. Incrédula por tamanha ficção, não pôde fazer crepúsculo do balaço que lhe rasgou o peito direito. Morreu antes que pudesse pisar na estação. Rastejou até que pudesse alcançar as calçadas para, ao menos, morrer sob os resguardos de um transeunte qualquer. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seguiram-se dias cinzas, os mais amargos noticiários. As autoridades ignoraram sua preguiça, saíram aos corredores garantindo uma nova sociedade. Em luto, os pais da menina baleada foram às ruas, às assembléias. Gabriela estava morta: a última criança dotada de certo patriotismo - e por ser estudiosa, e não ser rica, por certo, haveria de se tornar mártir. Mas Gabriela se tornou mote para afetações desnecessárias: os meses temperados com o mesmo velho descaso apagaram os protestos que a garota, mesmo muda, houvera imprimido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seu assassino continua livre e, assim, assassina também o significado vazio que a sociedade, aos prantos, tenta oferecer às suas crianças mortas. Com os anos sempre vem à tona a realidade de que, desprovida da dor e da perda, a morte brutal de Gabriela e de tantas outras crianças, nada mais deixou que cadáveres, sonhos que não puderam ser sonhados e um futuro que não pôde ser alcançado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-1177524349385766483?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1177524349385766483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1177524349385766483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/03/balas-perdidas.html' title='Balas Perdidas'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-2676888710237906220</id><published>2007-03-18T22:16:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:41:36.683-03:00</updated><title type='text'>Que Seja, Revolução</title><content type='html'>&lt;p align="right"&gt;&lt;em&gt;Non bene pro toto libertas venditur auro&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;A rosa e a embriaguez virão contra os muros brutalmente sóbrios. Comporemos hinos afetados por esta nossa revolução repentina. Os sorrisos parecerão diplomáticos enquanto se arrancarem os dentes pela raiz.&lt;br /&gt;Pela brandura e pureza da liberdade, enodoaremos de sangue nossas modernas avenidas. Ergueremos mártires instantâneos de vernizes vistosos e conteúdo oco. Os machados laborarão e os alicates arrancarão cada unha por vez, a começar pelo dedo mindinho.&lt;br /&gt;Em busca de inimigos, reviraremos condomínios e cemitérios reacionários. Derrubaremos toda porta que se fechar à guerrilha constitucional. À ordem será permitido que moa pés que tentarem fugir e quebre joelhos que não se curvarem.&lt;br /&gt;Pela fé que nos faz crer que a liberdade nascerá prematuramente, e cegos pela luz do novo mundo, declararemos independência de nosso futuro egocêntrico. O breu que tomará as ruas após as dez da noite cegará as almas. Por fim, conformar-nos-emos todos pela paz.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-2676888710237906220?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/2676888710237906220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/2676888710237906220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/03/que-seja-revoluo.html' title='Que Seja, Revolução'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-115792546709920325</id><published>2007-03-11T18:58:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:41:06.056-03:00</updated><title type='text'>Informe Publicitário</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Carta destinada aos senhores, senhoras, jovens e crianças desta nobre nação.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O Sindicato Marginal Brasileiro vem por meio desta apresentar seus serviços, há muito essenciais à nossa comunidade. Em um novo mundo, tão dado ao vil e ao ditoso, lançamos mão da mais ágil maneira de provocar o sucesso. Dadas as benesses de um trabalho tão competente, nossa associação tem promovido dias e noites da mais atuante prosperidade. Mais do que sólidas garantias e retornos certos, por vezes, surpreendentes, nosso sindicato traz aos associados paz e segurança num mundo sem oportunidades e de ordenados criminosos aos homens de bem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sabe-se que a competição existe, mas está claro que muitos não fazem parte das ambições do mercado, que por infindas vezes fecha os braços aos que procuram uma vida de virtudes cristãs e amparam os que procuram apenas o culto ao egoísmo. O Sindicato, pois, não dá as costas aos seus concidadãos, nem insiste em escolher partidos: dá-se com amor à irmandade entre os homens. Se quem o comanda insiste em destituir deste portentoso país a alcunha de terra das oportunidades, nós, sim, devolvemo-lo o título. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos uma classe tão organizada – e de convicções tão claras – que preferimos nos marginalizar desta sociedade, tratando-a, ela, sim, como marginalizada. Mas de nada nos privamos: contamos com nossos próprios bancos, nossa própria previdência e nossa polícia. Enfim, dispomos de toda a estrutura de que nossos associados possam carecer. Como nos confundimos com uma organização maçônica, pouco podemos dispor aos interessados sobre nossas atividades, mas que fique claro que aos nossos membros sobram segurança financeira, quietude e comodidade a toda família. Seja você também um associado do grandioso Sindicato Marginal Brasileiro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O Sindicato Marginal Brasileiro tem sedes em todos os cantos deste país, além de várias conexões em terras estrangeiras; e representantes não apenas em subúrbios, favelas e presídios, mas também em condomínios residenciais e casas legislativas e judiciárias.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-115792546709920325?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/115792546709920325'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/115792546709920325'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/12/informe-publicitrio.html' title='Informe Publicitário'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-8461918516591510918</id><published>2007-03-04T12:06:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:40:34.864-03:00</updated><title type='text'>Jack Daniel's</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;In vino veritas&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pareço ser triste, mas não sou/Se não distingo a felicidade, tão pouco distinguiria a tristeza/Consumo princípios, pois eles são drogas caras aos mal-amados/Gozo minha vida ignorando todo o seu potencial/Quando procuro me encontrar, aí sim, é que eu me perco/Digo aquilo que creio soar lúcido a ouvidos alheios, mas não me ouço falar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;¿Como podem compor canções que tratam de amores que dão certo?/Convenço-me de que uma pessoa sem podres não passa de uma pessoa sem cheiro ou sabor/¡Deixem-me sozinho!/Deixo-me sozinho/Cada um faz aquilo que quiser de suas próprias desgraçadas.&lt;br /&gt;A noite chegará/Deverei velar meu dia, mas cairei inconsciente e não poderei gozar da conveniência do funeral/Quando retornar às bases, eu estarei diante de seu renascimento/Luzes tomarão meu quarto, expulsando minha paz/Então, eu me amaldiçoarei por uma nova manhã.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-8461918516591510918?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8461918516591510918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8461918516591510918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/07/jack-daniels_22.html' title='Jack Daniel&apos;s'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-6277716427850792447</id><published>2007-02-25T17:30:00.000-03:00</published><updated>2008-03-24T20:40:14.102-03:00</updated><title type='text'>Pequeno Príncipe</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Ille nihil dubitat qui nullam scientiam habet&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Cabe-nos, ao amadurecer, aperfeiçoar métodos civilizados de sobrevivência em sociedade. Por uma vida pacífica forjamos hipocrisia, travestimos crueldade e corrompemos boas ações. Os vícios de nosso âmago, por sua vez, florescem aprisionados em uma cúpula de inocência até serem libertos por uma pandora qualquer, que, por um capricho inusitado, acaba por exibir os males que nos habitam. A ingenuidade, o último ente que nos preserva... O instinto rudimentar que ignora os mecanismos da perversão que nos amparam quando crescemos.&lt;br /&gt;Quando nós tínhamos doze anos, meus amigos se enfiavam sob as cobertas e simulavam espasmos. Falavam em espermatozóides e outras bugigangas. Quando queriam ver um sorriso amarelo e um olhar perdido na cara de um imbecil, citavam anatomias de seres sobrenaturais. Mais tarde, desvendei algumas metáforas e varei noites em busca de orifícios nem largos nem estreitos.&lt;br /&gt;Só aos quinze fui entrar em um ônibus. Como não sabia da existência do arame sobre as cabeças, imaginei que se parasse em todos os pontos. Em certa hora, temi ter que pular do veículo em movimento. Já batiam as doze badaladas quando eu, sozinho na lotação, fui abordado pelo cobrador, que me levou de bicicleta do ponto final à avenida próxima de casa.&lt;br /&gt;Com dezessete anos completos, ingeri álcool. Bebi pouco da cerveja precursora e tive que fingir estar alterado para ser aceito pela trupe. Nesta noite me perguntaram se eu era virgem, e como, aos quinze, eu houvera tocados nos seios de uma menina de mamilos inchados enquanto brincávamos de pega-pega, eu afirmei que sim. E não houvera sido tão ruim quanto dizem ser nossa primeira vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-6277716427850792447?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6277716427850792447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/6277716427850792447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/03/pequeno-prncipe.html' title='Pequeno Príncipe'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-278406763229677429</id><published>2007-02-18T18:50:00.000-02:00</published><updated>2008-03-24T20:39:52.147-03:00</updated><title type='text'>Revolta Conformista</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Tempora mutantur et nos in illis&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos donos da situação. Eis nossa estratégia, nossa guerrilha silenciosa, a forma de se ser rebelde em tempos modernos: confundir os que se preparam para nos combater fugindo de cada batalha. Esperamos, assim, que os já acomodados sucumbam à loucura por todo o seu preparo se revelar em vão. Pais descabelados por não ver obstinação em seus filhos adolescentes; burocratas com os nós das gravatas desfeitos por não ver passeatas em seus paços.&lt;br /&gt;Quando nossa geração tomar as dores do mundo, daí em diante, só se fará dias monótonos nas avenidas. Policiais sedentos por usar seus cassetetes e jatos dágua; fuzis livres de rosas. Se nos torturaram em outros tempos, insurgiremos com tal tortura psicológica: não haverá passeata, e toda nudez e palavreado serão banalizados. A geração sem sustos e seus fúteis messias se ergueram entre o caos, sem questionar ou cogitar.&lt;br /&gt;Uni-vos, jovens patrícias e maurícios! Abaixem vossas faixas, abandonem vossas pedras, ostentem vossos celulares em vossos pescoços! Façam do sexo rap estadunidense e do sofrimento emocore! Pois, sabemos que nossos antecessores, que se disseram vitoriosos, não só foram derrotados e humilhados, como foram manipulados para crer no contrário. Então, uni-vos, e banalize-vos!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Somos donos da situação. Mesmo que pareça um golpe desesperado, contemplamos os métodos antigos e os vemos falidos, logo, só nos resta inovar. Infelizmente, para nosso desgosto, há aquela triste ciência de que logo nos entregaremos e seremos recrutados pelo exército inimigo. E aceitaremos nosso futuro com a mesma resignação dos velhos guerreiros. Mas aí, então, esperaremos pelos futuros insurgentes já conhecedores de artifícios de combate efetivos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-278406763229677429?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/278406763229677429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/278406763229677429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/02/revolta-conformista.html' title='Revolta Conformista'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-897060307157006548</id><published>2007-02-11T18:18:00.000-02:00</published><updated>2008-03-18T20:43:51.847-03:00</updated><title type='text'>Sem Questionamentos</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Sentientum cum multis&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou imperfeito, pois sou criação divina; sou intolerante, pois fui forjado diferente; sou estúpido, pois meu tempo se extingue; sou fútil, pois sou azulejo público.&lt;br /&gt;Sou ranzinza por querer mais afago, sou triste por querer mais alegria, sou cético por querer mais fé, sou pessimista por querer mais esperança.&lt;br /&gt;Se tenho alguma inclinação depravada, trata-se deste mau costume de questionar. Pois nunca mais questionarei e, assim, não precisarei mais pedir perdão. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-897060307157006548?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/897060307157006548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/897060307157006548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/08/sem-questionamentos.html' title='Sem Questionamentos'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-115549124002071629</id><published>2007-02-04T14:40:00.000-02:00</published><updated>2008-03-18T20:43:23.459-03:00</updated><title type='text'>Mês São</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: right"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Nosce te ipsum&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Chegou-me por línguas senis, pouco ocupadas, porém amparadas por grande vivência, que eu carecia de alguma hombridade, certo punho adulto. E acusaram minha sobriedade de se afogar em embriaguez nos delírios mais infantis, ousaram denunciar minha breve vida como um circo de rebeldia sem fundamento, um picadeiro para fantasias ansiosas por rolar sobre as reais idades. Por acaso, tudo não passa da verdade. Eu sou louco, admito, sou confuso, muitas vezes enlouqueço, confundo. Não trato futuro como indispensável, meu mundo, onde eu me misturo àquilo que há de real, traz um delicioso porém: ele pode e irá mudar para melhor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sou uma criança, sempre fui e sempre tive consciência disso (mesmo ante sua própria escassez), mas, por certos dias, tal confissão me incomodara: eu jazo sob vinte anos de devaneios, muitas vezes me embaraço naquilo que não amadurece, não evolui. Aspirações tidas como universais nunca haviam me atravessado: como eu poderei me tornar alguém em vida, um exemplo na morte? &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E foi assim, tão suscetível, que acabei por cair na armadilha dessas cabeças decrépitas, ponderei minha loucura, medi minha imprudência, trouxe ao macuco meu horizonte sóbrio, enfim, fiz-me adulto para me tornar aceito, audível por quem se dispusesse a me apresentar a tal idade madura, mas principalmente por ver essa próxima etapa como necessária. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Qual não foi minha aventura na nova idade, a odisséia de uma criança entre os mais ratificados adultos. Sofri por certo tempo, reneguei-me, mas logo minha disposição se pôs a contrariar máximas maduras. Bradaram contra minha loucura e temeram o louco que se crê revolucionário, como se não houvesse nada mais aterrorizante. Logo eu era apenas outro demagogo, trataram como impudica, senão mero verniz, minha ideologia de norte tão comum, tão virtuoso. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi aqui que descobri o quanto prezo minha loucura: antes minha rica insanidade que sua pobre lucidez. Sou ao menos uma criança aquariana fidedigna, minha doidice não se faz empecilho, senão diante da sanidade caquética dos encanecidos. Sem loucura não haveria sanidade, pois, parece-me, então, que minha exagerada alienação dá aos velhos a impressão de que são sóbrios mais do que o bastante, dando-lhes certa dose de razão, coisa assim, que se confunde com certo punho adulto.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-115549124002071629?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/115549124002071629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/115549124002071629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/11/ms-so.html' title='Mês São'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-116722613991616869</id><published>2007-01-28T00:58:00.003-02:00</published><updated>2008-10-24T16:03:51.803-02:00</updated><title type='text'>Cubo-Mágico</title><content type='html'>&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;Fugit irreparabile tempus&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div  align="justify" style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Quanta atrocidade tornar os dias dias, os meses meses, os anos anos. É como um cubo-mágico de proporções incabíveis que compete a nós destacar em faixas monocromáticas. Eis um novo ano, que, como todo ano-novo, separa-nos de nossa antiga vida. Eis um pacto capaz de nos conceder o recomeço. Porém, não se sabe onde está a magia que nos conforta para que possamos ajustar tudo o que há de torto no passado com a simples troca do calendário posto na despensa&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Esse ano que mal amadurecera já me foi tomado, deixando-me como mero figurante de novos propósitos. Como todo temente a deus obrigado a conviver com o calendário gregoriano, encontro-me derramado entre desvarios sentimentais, em busca de ideais, senão criativos, ao menos úteis à busca da vida equilibrada da qual ouço tantas referências.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Imagine qual não foi a minha surpresa quando acordei no que seria o primeiro dia de minha nova vida e me engasguei com a decepção por tudo estar exatamente como era antes. Os móveis, os rebocos e as angústias, os asiáticos arrasados pela natureza e os homens-bomba e governos-bomba, tudo em seu devido lugar. A mesma Lua que me acompanhou em cada noite, para bem ou para mau, mal-dormida, o mesmo Sol que deu olhos às minhas vinte primaveras.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mesmo que o calendário da despensa exiba outra vida, sinto que meus destemperos continuam os mesmos. Sei que pode ser perigoso encarar um ano novo, vida nova, sei que busco rumos que não encontrarei através de promessas, portanto, agora, fugirei do erro de outros ciclos, quando me dediquei mais a votos do que caminhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-116722613991616869?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116722613991616869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/116722613991616869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2007/01/cubo-mgico.html' title='Cubo-Mágico'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-8467995593234281659</id><published>2006-07-16T20:00:00.002-03:00</published><updated>2009-03-14T09:36:14.512-03:00</updated><title type='text'>Somente Revolução</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Certas manhãs, os jovens acordam avessos às penumbras que os cercam, carentes de novos cenários. Enquanto uns se aventuram em estradas áridas, procurando se distanciar de caminhos, outros buscam exaltação em sua própria comodidade.&lt;br /&gt;Porém, quando em dados rosicleres, tanto os filhos burgueses quanto os filhos de si mesmos despertam após noites de aflições inexplicáveis, nascem as revoluções. Surgem, então, pouco antes do meio-dia, exclamações que anunciariam os novos tempos e que deveriam trazer à nossa mesma terra feições de um sonho bom.&lt;br /&gt;Coube aos jovens dos anos setenta a fortuna de escolher os meios perfeitos. Entre os caminhos palpáveis para alcançar sua tão sonhada liberdade, esses jovens descobriram em seus corpos, que lhes eram irredutíveis, armas convenientes. Como forma de atacar aquilo que lhes aprisionava, lançaram mão de seus instintos e abusaram de artilharia que fizeram prazerosa. Logo, se viu os pudores estilhaçados e as convenções demolidas.&lt;br /&gt;Mas toda revolução tem seu fim. Quando os anos serviram os louros aos adolescentes que pregavam desvarios sexuais, se tornou evidente sua irresponsabilidade, e as marcas da batalha pacífica desfiguraram os muros da nova sociedade de tal forma que nunca mais se pode ver (ou fazer) o sexo da mesma maneira.&lt;br /&gt;Como toda insurgência, essa tem importância inquestionável por mudar os rumos da sociedade, mas, assim como tantas outras, por ter se baseado em utopia e paixão, trouxe resultados inusitados e incontroláveis.&lt;br /&gt;Se fez bem enorme ao ocidente por trazer franqueza e cumplicidade às uniões sexuais e exigir discussões sobre o amor e a mulher, a insurgência não deixou de fazer emergir diversas convulsões sociais, e, inclusive, amparou valores obscuros, ditaduras travestidas em alvedrio, além de condenar as gerações futuras ao medo de males até então desconhecidos, como vírus disfarçados de amor.&lt;br /&gt;Lançaram-se aos ares as pernas de nossa sociedade tão puritana, mas, ao baixar da poeira, vislumbrou-se toda a esquizofrenia desse velho mundo refeito. Coube, então, aos jovens do futuro recolher destroços, o que acaba por confundir seus valores e exige deles, neste mundo contemporâneo, qualificado como louco, a lucidez e a responsabilidade que contrariaria qualquer revolução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-8467995593234281659?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8467995593234281659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8467995593234281659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/07/somente-revolucao.html' title='Somente Revolução'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-7600115999193706559</id><published>2006-07-02T20:00:00.004-03:00</published><updated>2009-03-14T09:20:14.171-03:00</updated><title type='text'>Saúdo Marx</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Saúdo Marx, pois, mesmo quando débil, já encontrando sua brevidade, o homem ousou sonhar, como faz todo jovem tolo, criando para si um mundo próprio, por regra mais belo que este. Sua alma, entretanto, parecia ser tão histriônica que acabou por contagiar esperança; seu mundo, então habitado por ele e nada além, se tornou povoado.&lt;br /&gt;Pouco sei sobre sua ciência, pois sou um idiota, porém, as palpitações que os novos mundos reservam aos jovens, essas, sim, eu posso afirmar que me entusiasmam. Pois Marx cultivou sonhos, tratando homens abandonados pelo acaso como proprietários dos próprios ares, e mais do que um idealista que ousou demais até para os loucos, o velho barbado parece ter se mostrado de admirável inteligência, já que convenceu a tantos sem nem mesmo se declarar um enviado divino.&lt;br /&gt;A ânsia por uma verdade e a fé no universo que ele próprio teceu podem tê-lo feito perder muito da confiança alheia; seus desvarios, embora pudessem ser tratados como sãos, jugulavam os desejos mais impossíveis, desconhecendo zelos e burocracias. Porém, nunca poderão ser tratados como vãos, por ser de boas intenções.&lt;br /&gt;Enfim, saúdo Marx, pois, mesmo quando defrontado com agruras e azedumes, o velho creditou suas loucuras à posteridade, caindo sobre a coerência como uma rocha, ignorando sua própria queda. Marx tratou sonhos como ciência, demoliu lógicas e mostrou ser possível fazer concretos os sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-7600115999193706559?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7600115999193706559'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7600115999193706559'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/07/saudo-marx_02.html' title='Saúdo Marx'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-8688352042785159494</id><published>2006-06-18T20:00:00.001-03:00</published><updated>2009-03-14T09:06:19.536-03:00</updated><title type='text'>Povo Unido</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O campesino, sua expressão heróica e um brado: "o povo, unido, jamais será vencido!" — a cena redentora poderia se passar por uma bela figura, talvez representar um movimento popular de afronta ao que molesta a sociedade, ou um ato arrebatador de uma revolta gloriosa. Mas não neste país. O berro reproduzido exibe o torpor de toda a nação, sua desordem e a esquizofrenia institucional. Tal urro, afinal, foi vociferado por homens e mulheres sedentos por destruir aquilo que atravessasse seu caminho nos corredores do Congresso Nacional. Mais do que tudo, tal frase denuncia que, no Brasil, não há apenas um povo e um Estado, mas, sim, tantos quantos nossa imaginação possa conceber.&lt;br /&gt;Os integrantes do MST são mero gado. Um naco de brasileiros esquecidos pelo Estado e abusados por líderes maliciosos. Sua embriaguez ideológica e sua fragilidade fazem deles termômetro de graduação à incompetência do Executivo, à perversidade do Legislativo e à caquexia do Judiciário. Pois, quando todos os poderes se omitem diante de sucessivas crises de todo os tipos, se torna cômodo fazer de Brasília e das instituições brasileiras um circo. Há, hoje, a impressão generalizada de que tudo o que se faça no país de Lula não sofrerá punição.&lt;br /&gt;Quando se considera um país de povo pacífico e acomodado, que se viu nas mais diversas marés políticas ao longo da história, e que, buscando sua identidade, acabou por eleger uma unanimidade popular, o desarranjo ideológico é perdoável. Se levarmos em conta que temos como redentor um presidente de ideologias tão ambíguas, que ora brada ao lado de vândalos, como os que destruíram as vidraças do Congresso, e ora se alia aos congressistas mais sujos, mantendo inabaláveis os fundamente corruptos de Brasília, toda confusão ideológica é, de fato, digna de perdão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-8688352042785159494?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8688352042785159494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/8688352042785159494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/05/povo-unido.html' title='Povo Unido'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-152104918341758609</id><published>2006-05-21T20:00:00.001-03:00</published><updated>2009-02-21T08:21:25.006-03:00</updated><title type='text'>Vida Tropical</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Tenha calma, brasileiro, afinal, o medo dura pouco. Logo, os motins, os baleados, os ônibus e agentes penitenciários carbonizados sumirão. Então, nos esqueceremos do pesadelo paulista, nos voltando à pacífica vida tropical que merecemos. Pois, costuma ser assim: ao brasileiro não cabe rememorar as lembranças ruins. Tudo sempre passou e sempre passará.&lt;br /&gt;São Paulo assistiu ao massacre do Carandiru, quando mais de cem detentos rebelados foram assassinados pela polícia. Não se viu punição, nem mesmo reformas em nosso regime penitenciário capenga. Logo depois, veio Vigário Geral, onde um grupo de policiais encapuzados chacinou mais de vinte moradores da favela fluminense. A condição das favelas vem se deteriorando e os policiais cariocas, hoje, são tão confiáveis quanto os traficantes que supostamente combatem.&lt;br /&gt;Em Carajás, há dez anos, quase duzentos policiais saíram disparando contra ocupantes sem-terra, dezenove deles foram mortos. Mais uma vez, não se viu punição. A questão agrária empoeira abandonada entre a nossa displicência e o mofo, e os sem-terra, igualmente abandonados, são vítimas da pobreza e de seus líderes oportunistas.&lt;br /&gt;A Justiça teima em abrandar as penas de criminosos que (por um mês) deixam a população chocada. A indignação logo se esmorece, e bastam bons advogados ao assassino ou ao colarinho-branco para que escapem da punição merecida. O próprio eleitorado acaba por inocentar o corrupto que rouba, mas faz, e o contribuinte se acomoda ao ver nossos juízes-lalaus dormindo em suas próprias camas, já que não se pode fazer nada.&lt;br /&gt;O Brasil passa por sucessivos casos de corrupção política, mas faz questão de esquecê-los. Ao congressista acusado cabe cair no ostracismo por três meses para voltar como uma figura renascida, um homem público livre de qualquer suspeita. O PT, marco da corrupção em proporções universais, está para se reeleger. Tudo sempre passou e sempre passará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-152104918341758609?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/152104918341758609'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/152104918341758609'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/05/vida-tropical.html' title='Vida Tropical'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-1571103351194139135</id><published>2006-05-07T20:00:00.001-03:00</published><updated>2009-02-21T08:21:42.606-03:00</updated><title type='text'>Terror Civilizado</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O Brasil se nega a aceitar sua modernidade. Por modéstia, rejeita qualquer paridade com as grandes nações. Nós, brasileiros, devemos ser mais ambiciosos. Admitamos, por exemplo, ter em nossa companhia a entidade  que maravilha as grandes potências do novo século: o terrorismo. Pois, sim, ele também faz parte de nossa branda nação.&lt;br /&gt;O terror tupiniquim não veste mantos ou entoa orações, não tem fundamento ou verniz e não defende causa, meio ou fim. Porém, os terroristas brasileiros são sagazes, pois dominam a ciência capitalista, que exclui sentimentos como religião e honra em nome do progresso corporativo. O que nos assombra, todavia, é que essa tática guerrilheira covarde, que inflige medo às nações poderosas, convive em uma harmonia assustadora com a sociedade brasileira.&lt;br /&gt;Criamos uma nova ordem: o terrorismo civilizado, onde as organizações criminosas convivem em consonância com as instituições que deveriam combatê-la. A convivência entre o Estado brasileiro e os terroristas sem mártires, porém, é frágil e, dessa forma, acaba por contrariar um ou outro interesse.&lt;br /&gt;Quando isso acontece, há conflitos entre os dois poderes (o convencional e o paralelo), e aí, para nossa desgraça, o poder paralelo vence. Ao Estado, derrotado, resta cumprir as exigências do outro. Os cidadãos comuns, então, se transformam em mero escambo, entes marginalizados, indignos do menor apreço. Nada como a triste deferência que há entre a máquina que o povo provém e a arrogante classe de terroristas que a limita. Essa última, sim, consciente do potencial do território brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-1571103351194139135?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1571103351194139135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1571103351194139135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2009/02/blog-post.html' title='Terror Civilizado'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-4392287767761934230</id><published>2006-04-23T20:00:00.000-03:00</published><updated>2009-02-21T08:22:01.370-03:00</updated><title type='text'>Parabrasileiro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;De minha casa, agora um cativeiro, avisto pela janela o Estado ainda chamado Brasil. A república que, por alguns dias, se entrega por inteiro à metade esquecida de si própria. Como aquele brasil, que nós deste lado convencionamos tratar como paralelo, é, então, o brasil vigente, os que se tratam por homens de bem experimentam a sensação de estar ilegais. Dessa forma, meu cativeiro se transforma em cela, e minha pena se faz merecida.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Hoje, não posso declarar o orgulho de minha brasilidade, como espera o Governo. Sou um pária social, pois não contribuo ao brasil que vigora atualmente, nem mesmo conheço sua legislação e seus míticos códigos de honra. Não reconheço seus líderes e nunca vi sua bandeira. Ouvi falar que sua sede administrativa fica em uma das penitenciárias que nós, cidadãos do lado de cá, pensávamos ter erguido para afastar de nossa sociedade os da face de lá.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;De qualquer forma, me resta apenas esperar em minha cela, conformado com a punição, até que aquele brasil se chateie por ser uma nação formal, percebendo que tamanha notoriedade faz mal a seus planos. Os quais, ao que me parece, envolvem subjugar, um dia, o brasil do lado de cá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-4392287767761934230?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4392287767761934230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/4392287767761934230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/04/parabrasileiro_09.html' title='Parabrasileiro'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-3778324343338730087</id><published>2006-01-29T20:00:00.001-02:00</published><updated>2008-12-06T21:53:46.647-02:00</updated><title type='text'>Sobre Porvires</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;Suicídios são todos mesquinhos, ainda mais os suicídios urbanos contemporâneos. Eles podem, sim, possuir certo lirismo, mas esse escoa da poesia urbana contemporânea, que vive embriagada por seu próprio soro de presunção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Saltar do alto da própria vaidade, ignorando que vida alguma merece grandes temores ou tamanha prepotência é um grande erro cometido pelos viventes menos convencidos de sua prisão irrefutável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Eu falo do suicídio porque estou intrigado sobre como ele assalta os adolescentes. Cresci atazanado por suicidas — músicos, romancistas, poetas consagrados — e antes eu tratava essas pessoas, aclamadas por sua paixão contraditória com os viveres, como gênios capazes de extrair da vida valores imperceptíveis, de entender mais do que qualquer outro as conseqüências de se viver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Muitos daqueles que foram encontrados estéreis ao lado de um bilhete de traços errantes eram, para mim, um exemplo de como usurpar da razão fugindo do senso-comum. Esse parecia, afinal, o caminho avesso à rotina, o que cativa um jovem tal qual a lâmpada seduz a libélula.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;¿Seria, então, admissível pela razão divina que uma criatura desistisse da vida por não ser capaz de entendê-la? Soava-me como uma questão cabível. Já hoje, pergunto-me por que esperar sempre pela justiça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;A vida de um adolescente niilista parece ser guiada pela tirania do acaso, mas quando se chega à idade adulta se vê que não só os jovens sofrem da covardia de deus. Descobre-se, também, que só as amarguras são capazes de destacar os instantes de felicidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Eu sobrevivi à minha juventude agarrado ao medo, salvo não pela racionalidade, mas pelo misticismo, afinal, ¿como eu poderia admitir fuga para um destino de conforto incerto?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Eu trago aquele sentimento presente no suicida: por vezes, deixo-me subjugar por meu ego. Hoje, porém, cuido para deixá-lo apodrecer em algum canto qualquer de meu âmago, sedento por humores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Daqui, via-me tão grande quanto o mundo que contemplava, mas aos outros, dava-lhes escala de insetos. Descobri, todavia, que ignorava as almas alheias não por serem desprezíveis, mas tão somente por eu viver distraído demais com minha própria grandeza, meus quereres e meus porvires.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Por fim, eu revelo ao suicida que esta fórmula pode não trazer felicidade, mas impede qualquer um de cometer um grande erro: contemple-se de longe, assuma sua mediocridade, pois, não será possível alcançar qualquer coisa além disso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-3778324343338730087?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/3778324343338730087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/3778324343338730087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/01/sobre-porvires.html' title='Sobre Porvires'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-7105081704034636691</id><published>2006-01-15T20:00:00.002-02:00</published><updated>2008-12-06T21:44:41.134-02:00</updated><title type='text'>Inusitado Ululante</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;br /&gt;Se os astros houvessem se movido um dedo mínimo que fosse para o lado, eu teria nascido completamente frígido, incapaz de encontrar algo que me confortasse ou qualquer compromisso que me revigorasse. Eu teria deixado meu limbo amniótico sem alento algum para a vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Eu não tenho habilidades notórias, sejam elas físicas ou intelectuais, eu não sei lidar com pessoas, nem mesmo estatísticas. Quando eu me afeiçôo a algo, sei desde então que não terei minha dedicação displicente correspondida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Por habitar uma fatia estreita do círculo comum, dei-me ao oportunismo, apeguei-me ao modo mais egoísta de se colocar entre os entes sociais que o cercam. Eu pretendo, pois, escrever, dar agruras em troca da aceitação piedosa que habita o leitor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Eu não detenho conhecimento de causa alguma e, infelizmente, nasci dono de uma desfaçatez incapaz de subjugar minha própria inteligência. Portanto, se quiser receber alguma atenção como escritor, eu não poderei me dar às letras senão para expor meus sentimentos mais vergonhosos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Há quem tenha oportunidade de viver de um trabalho prazeroso, ou ao menos senhor de momentos de deleite, mas, desgraçadamente, sinto orgulho do que escrevo apenas até que o texto em questão seja lido por outrem. Meus sentimentos mais grotescos, quando expostos a meus próprios olhos, revelam uma coragem que eu não sabia que tinha, mas, publicados, não passam de um ridículo delicioso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Ainda assim eu escrevo, pois me sinto menos pesado quando me livro daquilo que cotidiano algum suportaria ver exibido. Conforto-me ao imaginar que sejam apenas signos em um papel, e não eu a cuspir loucuras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;Mais tarde, tomarei uma boa música e o uísque decorativo para celebrar outro dia monótono que passou por grande conquista. Há um novo sentimento condenável que posso tratar como não reprimido, outra criatura grotesca que livrei de minha rotina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;Deixo-me ao sofá relembrando a paz da infância, quando não sentia nada que não fosse comum a todas as crianças, quando meros sentimentos não poderiam ferir as convicções de toda uma sociedade. Quando não poderiam ferir a mim, tal quais ferem hoje, cicatrizando em meu âmago como estalagmites pontiagudas, capazes de esfolar mesmo os anseios mais oportunos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-7105081704034636691?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7105081704034636691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/7105081704034636691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/08/ululante-inusitado.html' title='Inusitado Ululante'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30764017.post-1510232591594959712</id><published>2006-01-01T20:00:00.011-02:00</published><updated>2009-02-02T21:41:03.145-02:00</updated><title type='text'>Dedicatória Conveniente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Soa patético iniciar de tal forma um manifesto púbere, porém, prefiro denunciar logo meu sentimentalismo ridículo, pois não seria capaz de escondê-lo. Enfim, contrariando certas expectativas, dedicarei este manifesto a meus pais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não desejo agradar a meus progenitores, trata-se apenas da necessidade de expor sua importância para a minha construção. Logo, serei expurgado da idade mais confusa que se vive, como exige a natureza dediquei cinco, seis anos a questionar meus pais e, quando conveniente, a odiá-los.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sei que cairia em um lugar-comum enfadonho caso eu apenas agradecesse o alento e os cuidados de meus benfeitores, portanto, irei me ater ao que acredito ter sido o melhor que meus pais fizeram por mim: questionar minha juventude.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por plantar pequenas teimosias aprendi a cultivar argumentos, por contrariar seu zelo nadei contra correntezas, invadi insurgências, mesmo que inglórias, tomando seu entusiasmo para mim. Quando confrontado com a utopia que assalta a juventude, optei pelo protesto, não pela afasia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para elucidar o respeito que guardo por meus pais, ainda devo citar sua prontidão em corresponder à minha rebeldia. Quando já vislumbrava a vida adulta, eu descobri que sempre podia questioná-los, o que me deixava exausto e satisfeito, e odiá-los, quando coubesse, trazia-me certa placidez de espírito capaz de acompanhar meus passos por um longo percurso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Hoje, resta-me esperar que essa paz dê segurança aos protestos que meus pés jurarão contra o solo que meus pais me proveram.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30764017-1510232591594959712?l=manifestopubere.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1510232591594959712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30764017/posts/default/1510232591594959712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://manifestopubere.blogspot.com/2006/01/dedicatoria-conveniente.html' title='Dedicatória Conveniente'/><author><name>Vieira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
